Londrina - A enfermeira Maria Alves de Oliveira, de 56 anos, e a universitária Nainhãra Cristina Nunes Cardoso, 32, oficializaram a relação por meio da Escritura Pública Declaratória de Sociedade Homoafetiva há quase um ano.
''Estamos juntas há três anos e desde o início usamos aliança. Sempre fizemos questão de assumir a nossa relação. O 'casamento' foi um passo importante para reforçar ainda mais o nosso compromisso'', destacou Maria, que foi casada durante 17 anos, tem quatro filhos e quatro netos. Nainhãra é mãe de uma jovem de 16 anos.
No início, a família de ambas resistiu em aceitar o relacionamento, mas com o tempo foram se acostumando com a ideia. ''Hoje nossos filhos e netos estão sempre com a gente. Além disso, nos finais de semana almoçamos com os nossos pais. Somos respeitadas por todos'', disse Maria.
Elas lamentam, no entanto, que o preconceito seja tão grande por parte da sociedade. ''Já ouvimos dizer que ser gay é uma vergonha e um mau exemplo para as crianças. Vergonha e mau exemplo é crescer em um lar desestrutrado, com pais que não dão atenção aos filhos, se maltratam, são infiéis, fazem uso excessivo de álcool e de outras drogas'', desabafaram.
Em razão do preconceito, Maria e Nainhãra reservaram um cômodo da casa para momentos de oração e leitura da Bíblia. ''Não nos sentimos bem na Igreja. Por isso, temos nossos momentos com Deus em casa''. Elas elogiaram a decisão do STF. ''Espero que com isso os homossexuais passem a ser mais respeitados'', concluiu Nainhãra.(P.C.B.)

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