Até a criação do Revalida, hoje adotado por 37 universidades públicas, o reconhecimento de diplomas estrangeiros de Medicina era realizado da mesma forma como ainda é feito nas demais graduações: cada universidade adota seus critérios de revalidação, o que pode gerar demora e custos elevados, na opinião dos graduados.
Entretanto, há quem acredite que as coisas se tornaram mais difíceis com o Revalida. ''As portas estão se fechando para a revalidação. Com o Revalida, até pretendiam ajudar, mas o tiro saiu pela culatra'', critica Dimas Akucevikius, proprietário da Revalmed, empresa de Dourados (MS) que presta serviços para interessados em revalidar diplomas de Medicina e Odontologia obtidos no exterior.
Akucevikius alega que, antes, os formados em instituições estrangeiras podiam tentar revalidar seu diploma em mais de uma universidade pública entre as 37 que aderiram ao exame, mas agora, com o Revalida, só podem se inscrever em uma instituição. ''O problema é que a portaria (do Revalida) dizia que o exame não impedia que as universidades mantivessem os processos de revalidação ordinários, mas muitas os suprimiram'', explica.
Outro problema seria o conteúdo exigido no exame. ''Conheço pessoas de alta qualificação que não conseguiriam passar na prova. Cobram muito conteúdo do SUS, que o sujeito formado no exterior não estudou, muita coisa sem importância, como datas, número de lei'', diz Akucevikius.
Ele critica o que chama de ''corporativismo'' da classe médica brasileira. ''Os conselhos de medicina dizem prezar pela qualidade, e estão certos. Mas eles exigem avaliação rigorosa de quem estudou no exterior, enquanto existem no Brasil cursos de Medicina tão ruins que poderiam ser fechados'', afirma o empresário.
Elizabeth Dias de Oliveira Aguilera, médica formada na Bolívia, tentou o Revalida tanto no projeto-piloto de 2010 quanto no primeiro exame, em 2011, mas não foi aprovada. ''Tinha muita gente inscrita, mas é importante dizer que muitos não fizeram a prova porque tinham revalidado o diploma em processos ordinários. Quando se fala que apenas alguns dos inscritos passaram, fica uma imagem negativa'', explica.
A respeito do conteúdo exigido no exame, Elizabeth diz que ''a dificuldade é a mesma de qualquer revalidação'', mas que há pontos a serem ajustados. ''Precisaria haver uma complementação de estudos. O que muda de país para país é o protocolo. Já a parte médica é a mesma coisa'', justifica.
A médica Fabien Harumy Nakagaki de Macedo, que também se formou na Bolívia, está tentando desde o início do ano passado revalidar seu diploma no Brasil. Depois de perder o Revalida em 2011 porque a data da prova foi alterada, ela vai tentar o processo ordinário na Universidade Federal do Mato Grosso, e aguarda o fim da greve das instituições de ensino superior federais para complementar os estudos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Fabien critica a metodologia do Revalida e as notas de corte da prova.
''Querem fazer um processo de revalidação único, e eu até concordo com isso, mas tem que ser justo. Querem exigir de quem estudou fora uma nota que os formados daqui não conseguiriam. O justo seria então que houvesse uma avaliação tanto para quem é formado no Brasil quanto no exterior'', afirma. (F.G.)

Imagem ilustrativa da imagem Formada na Bolívia diz que Revalida não é justo
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