A 11ª edição dos EncontrosFolha teve como tema "A educação como elemento transformador da sociedade"
A 11ª edição dos EncontrosFolha teve como tema "A educação como elemento transformador da sociedade" | Foto: Fábio Alcover



Melhorar a qualidade da formação para professores, implementar o uso de tecnológico nas escolas com foco e fortalecer cursos voltados à inovação e ao mercado estão entre as principais ações para promover o desenvolvimento social e econômico da região e do País. As propostas foram debatidas na 11ª edição dos EncontrosFolha, no Auditório do Aurora Shopping, em Londrina, que teve como tema "A educação como elemento transformador da sociedade".

O superintendente do Grupo FOLHA, José Nicolás Mejía, afirmou, na abertura do evento, que o debate é importante porque diversos indicadores mostram que o Brasil consegue matricular as crianças, mas tem dificuldade para mantê-las na escola. Ele destacou ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) com 70 países, no qual os brasileiros ficaram na 69ª colocação em matemática, na 63ª em ciências e na 59ª em leitura.

Para Mejía, é prova da dificuldade de aprendizagem na educação básica, maior desafio por gestores e educadores. "Muitas vezes esse assunto não é um tema discutido de forma ativa por lideranças porque os resultados são vistos a mais longo prazo, mas é por isso que promovemos esse evento, para trazer a discussão e a divulgação à população das prioridades para a educação do ensino básico e do superior", disse.

O presidente da Frente Parlamentar da Educação, deputado federal Alex Canziani (PTB), destacou a importância de se levar especialistas das mais variadas áreas, que fornecem informações para que as lideranças regionais, estaduais e nacionais possam avaliar as ações que precisam tomar para desenvolver o setor. "Se não priorizarmos a educação brasileira, não chegaremos aonde queremos e sonhamos. Esse tem de ser o nosso grande desafio e prioridade nacional."

NA BASE
Head da Google for Education para América Latina, Rodrigo Pimentel abriu o debate com o alerta de que 60% dos estudantes de hoje trabalharão em empregos que ainda não existem, o que mostra como a formação precisa evoluir também. "Não se pode dissociar a educação da tecnologia e temos de resgatar o papel da escola. Acreditamos, do lado da Google, que a inovação tem de ser dentro da sala de aula. A tecnologia tem de servir a escola e ajudar a escola a olhar de novo para o estudante, porque andamos totalmente desfocados."

Pimentel citou por exemplo, que a competência mais desejada por presidentes de empresas em funcionários é a resolução de problemas, que é a mesma prioridade dos estudantes, conforme pesquisas promovidas pela Google. "Se esse aluno não tem voz, como a gente quer que esse cara se interesse pela dinâmica que a escola oferece para ele? É um mundo de protagonismo e todo mundo quer ser parte."

Professora da FGV-RJ e diretora do Ceipe (Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais), Claudia Costin completou que essa mudança de paradigma não pode ser exclusiva de escolas privadas caso a sociedade queira evoluir como um todo. Ela lembrou que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e que a educação tem a capacidade de combater a desigualdade, o maior motor da violência social que assola hoje a cidade onde ela vive, o Rio. "Precisamos de educação inclusiva, no sentido de que os pobres estejam na mesma escola das ricas, que as de diferentes etnias estejam na mesma escola. E equitativa, com expectativas altas para todos e não apenas para os mais brilhantes."

ENSINO SUPERIOR
Em um segundo painel, especialistas debateram a necessidade de uma aproximação das universidades da iniciativa privada. O diretor do Núcleo de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Positivo, Roberto Di Benedetto, afirmou que as três formações com maior número de inscritos, de forma disparada, são direito, administração e pedagogia, enquanto as mais ligadas à inovação não recebem a atenção adequada. "A política pública das universidade tem de estar vinculada à política pública de desenvolvimento do País", disse.
A reitora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Berenice Quinzani Jordão, apresentou estudos para falar que a rede pública no Estado está intimamente ligada ao desenvolvimento econômico dos municípios onde estão inseridas. Ela destacou o papel da UEL na formação e na atualização de professores, mas também cobrou uma formação mais técnica para docentes. "Investir na formação dos profissionais é hoje o grande desafio, ao lado de mudar o modo de interação com empresas, para termos pesquisa e inovação."
Por outro lado, o professor José Motta Filho, da ISAE/FGV em Curitiba, lembrou que não é preciso que os professores aguardem uma mudança de comportamento dos gestores do setor no País. Ele defendeu o protagonismo dos docentes para que atualizem a forma de relacionamento com os alunos e deem voz ativa a eles.

O EVENTO
A primeira edição dos EncontrosFolha foi em junho de 2014. Foram abordados desde então assuntos referentes a economia, logística, mão de obra, tecnologia da informação e comunicação, agronegócio, sustentabilidade empresarial, indústria, comércio e serviços, ética e transparência nas empresas, além de micro e pequenas empresas. "Os EncontrosFolha têm servido como marco de referência para incentivar a participação de lideranças públicas e privadas no debate de temas relevantes, assim como tem auxiliado a divulgar esse conteúdo à população em geral, fazendo com que a sociedade participe mais ativamente no desenvolvimento da cidade e da região", disse o superintendente do Grupo FOLHA.
Na quinta-feira (8) a FOLHA traz cobertura completa do evento, que tem patrocínio do Grupo Positivo e da Construtora Quadra, co-promoção da Frente Parlamentar da Educação e apoio da CNC e ISAE/FGV.

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