Ford vai transferir fábrica em São Paulo
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 28 (AE) - A fábrica de caminhões da Ford será transferida do bairro do Ipiranga, em São Paulo, para São Bernardo do Campo entre janeiro e fevereiro próximo. O presidente da Ford, Antonio Maciel Neto, reuniu-se esta manhã com os sindicalistas de São Paulo para informá-los sobre a decisão. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, a empresa concordou em transferir para o ABC os empregados do Ipiranga.
Paulinho disse ainda que a empresa abrirá um programa especial de auxílio para os empregados que não quiserem ser transferidos mas desejarem, por exemplo, abrir um negócio próprio. Hoje trabalham no Ipiranga 1.450 metalúrgicos, dos quais 275 estão afastado temporariamente em razão da queda nas vendas.
Para concluir esta transferência a direção da Ford precisa, no entanto, resolver o problema dos excedentes de São Bernardo do Campo. Há cerca de 1.200 trabalhadores no sistema lay off no ABC. Para tentar estimular a saída deste pessoal a montadora lançou um programa de demissões voluntárias.
A Ford decidiu tirar a linha de montagem de caminhões e picapes do Ipiranga para acabar com os problemas da existência de uma fábrica em perímetro urbano. Segundo a empresa, a vizinhança constantemente reclamava do barulho. A idéia é ganhar com aumento de produtividade. A nova fábrica será instalada no mesmo local onde hoje está a planta dos automóveis Ka e Fiesta.
Com isso, a Força Sindical perderá a representação na única montadora que restava na cidade de São Paulo. Os empregados passam a ser representados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que comanda a base de São Bernardo do Campo. Na sua capacidade máxima, a fábrica de caminhões produz 200 por dia.
Campanha No próximo dia 1º a Ford Motor Company lançará a sua primeira campanha de publicidade global, com transmissão simultânea em todo o mundo. A idéia é divulgar as sete marcas que hoje pertencem à empresa americana: Ford, Lincoln, Mercury, Mazda, Jaguar, Volvo e Aston Martin. Num sinal dos tempos de globalização, o comercial de televisão, de dois minutos, será visto também no Brasil, às 21h15. Irá ao ar por todas as redes de TV aberta e também poderá ser visto e ouvido pela Internet, no site americano Broadcast.com.
A empresa não reservou nada do orçamento para esta campanha para jornais e revistas. Segundo explicaram os executivos, a idéia do comercial - essencialmente institucional - não poderia ser transmitida sem imagens e som.
Com imagens do mundo inteiro, inclusive do carnaval brasileiro, o comercial não utiliza um texto narrativo. Traz a voz da cantora soprano galesa Charlotte Church, de 13 anos. Esta será a campanha mais cara dos últimos tempos. A Ford está gastando em torno de US$ 15 milhões em todo o mundo e US$ 750 mil no Brasil. Segundo o diretor de assuntos corporativos da Ford, Célio Batalha, a empresa deverá adotar o nome de Ford Motor Company em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Vendas - O mercado de veículos em outubro deverá somar 90 mil unidades, segundo previu hoje Batalha. Isto significa que haverá uma queda de mais de 10% em relação a setembro. No entanto, a Ford deve manter o volume de vendas, o que representará aumento de participação. Já no mês passado a marca ficou com 12%. A média no ano gira em torno de 9%.
Batalha atribuiu o desempenho favorável ao lançamento de um novo motor para os carros populares. Em setembro o Fiesta saiu do quinto para o terceiro lugar no ranking dos modelos mais vendidos. "O novo motor (Zetec) rejuvenesceu os produtos e alavanca vendas", disse.


