Ford vai suspender produção em São Bernardo por 17 dias
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 1999
Por Cleide Silva e Liliana Pinheiro 
São Paulo, 17 (AE) - A Ford vai suspender a produção por 17 dias na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Segundo a comissão de fábrica, a paralisação começa na sexta-feira e vai até 4 de abril. Os representantes dos empregados e a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC reuniram-se hoje com o presidente da empresa, Ivan Fonseca e Silva, para discutir um projeto de reestruturação da fábrica.
A paralisação, segundo o diretor do sindicato João Rodrigues, deve-se, em parte, à falta de peças, porque os fornecedores estariam com problemas para comprar matéria-prima importada. Também o mercado, para a Ford, não estaria tão favorável, apesar da recuperação das vendas nos últimos dias. A Ford informou que o problema está relacionado só à falta de peças. Ressaltou ainda que a dispensa efetiva (que envolve cerca de 4 mil trabalhadores) é de nove dias úteis, pois os demais coincidem com feriados.
Na unidade de Taubaté, onde são fabricados motor e câmbio, a produção também será suspensa por 17 dias em abril, segundo afirmou o sindicato local. A Ford não confirmou essa paralisação.
De acordo com sindicalistas, a previsão de Fonseca e Silva para a produção total deste ano é de 1,3 milhão de veículos - quase 300 mil menos que em 1998, apesar do acordo que reduziu os preços dos automóveis. A montadora espera, segundo o sindicato, ter participação de 13% nesse mercado. A fábrica do ABC está produzindo 500 carros por dia, metade da capacidade.
A reestruturação na Ford, com o objetivo de reduzir custos, começou a ser negociada hoje. O sindicato aceita discutir mudanças na estrutura de produção desde que o nível de emprego seja mantido e haja novos investimentos em São Bernardo do Campo.
Ampliação - A General Motors decidiu ampliar a produção na fábrica de São Caetano do Sul. A partir de hoje, os funcionários vão trabalhar 44,5 horas semanais, ante as 42 horas anteriores. A produção deve passar de 26 para 34 veículos por hora. Segundo a empresa, a mudança estava prevista para ser feita em abril, mas a empresa decidiu antecipá-la para compensar a perda de produção em decorrência do blecaute de energia elétrica ocorrido semana passada.
Em abril, a jornada maior será mantida por conta da expectativa de aumento das vendas. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Turíbio Liberato, a empresa também estaria estudando a suspensão da dispensa temporária - por cinco meses, a partir de 18 de janeiro - de 534 trabalhadores. A fábrica produz os modelos Astra e Vectra.
Outra montadora que vai aumentar a produção é a Honda, de Sumaré (SP). A partir de abril, a empresa passa a produzir 100 unidades diárias do Civic, ante as 80 atuais. Na Fiat de Betim (MG), a produção está passando de 1,5 mil para 1,7 mil veículos por dia, por causa do início da fabricação do Siena. O modelo era produzido na Argentina, mas, com a alta do dólar, a direção da Fiat decidiu transferir a montagem para o Brasil, temporariamente.


