Ford revela a FHC que nova fábrica será na Bahia
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 16 (AE) - O vice-presidente da Ford mundial, Martin Ingels, e o presidente da Ford nacional, Ivan Fonseca e Silva, estiveram hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso para anunciar formalmente a decisão da empresa de levar a montadora para a Bahia. Parte do investimento de US$ 1,3 bilhão deverá contar com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Hoje, depois do encontro com Fernando Henrique, Ivan Fonseca argumentou que "motivos técnicos" levaram a Ford a deixar o Rio Grande do Sul e montar a nova fábrica na Bahia.
"Foi uma decisão de negócio que examinou os interesses da Ford de competitividade", afirmou Ivan Fonseca, explicando que a vantagem decisiva para a escolha da Bahia foi o Estado oferecer um "local" para abrigar a fábrica pronto para o fornecimento de todos os insumos necessários. "Julgamos que essas vantagens representam o antecipação de um ano do projeto." O presidente da Ford disse que outras vantagens financeiras estão sendo discutidas com o governo baiano, mas não quis especificar quais eram.
Dos US$ 1,3 bilhão, US$ 780 milhões serão investidos pela Ford e o restante pelos fornecedores. Segundo Ivan, a empresa decidiu instalar a Ford na Bahia, e não em São Paulo, primeiro porque o parque industrial paulista já está consolidado e segundo para atender apelos do governo do Estado e do governo Federal de apoio à região Nordeste. "Será a fábrica mais moderna da empresa no mundo", disse Ivan Fonseca. O porta-voz da presidência, Georges Lamazire, afirmou hoje "imaginar" que a instalação da fábrica na Bahia esteja dentro do regime automotivo especial para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que oferece incentivos como redução de 50% do IPI e do imposto sobre importações.
Otimismo - Durante a audiência, que contou com a presença do presidente do Congresso, o baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL) e do governador do Estado, César Borges, Fernando Henrique fez questão de mostrar aos empresários os índices de recuperação da economia brasileira e os diferentes projetos desenvolvidos pelo governo no País.
O presidente voltou a se queixar das previsões catastróficas de economistas e jornalistas sobre a reação da economia após a desvalorização do real, brincando que eles estavam unidos numa "conspiração" contra o País.
"A recuperação da economia é tão rápida que os próprios economistas tem o cuidado de não alimentar o otimismo para não ter de pagar o preço de terem sido tão pessimistas", comentou o presidente. Fernando Henrique cobrou dos empresários mais agressividade. "É preciso acreditar mais no Brasil." Fernando Henrique enumerou diversas obras de infraestrutura que estão sendo realizadas no Brasil, citando a Ferronorte, a Ferrovia Norte e Sul e outras obras importantes em Estados do Nordeste. O presidente afirmou que as obras estão sendo feitas, mas que a "mídia não divulga as coisas que importam".


