Rio, 12 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, diz
em documento enviado ao presidente Fernando Henrique Cardoso para fundamentar a concessão de financiamento à Ford, que a instalação da fábrica na Bahia é o maior projeto da multinacional norte-americana no mundo e vai gerar 5 mil empregos diretos, 3,5 mil postos de trabalho a mais do que a proposta inicial para o Rio Grande do Sul.
Segundo ele, a montadora decidiu ampliar os investimentos, que seriam de R$ 861 milhões no Rio Grande do Sul
para R$ 1,6 bilhão na Bahia.
Ao detalhar parte da proposta da Ford, Borges lembra, no documento encaminhado ao presidente na terça-feira (06), que está prevista a ida de 17 empresas de autopeças dentro da planta industrial da montadora e mais dez outras em torno do parque. Ele argumenta que o desembolso do BNDES, historicamente, tem sido para financiamentos nas Regiões Sul e Sudeste e, por isso, considera importante ampliar os projetos do banco para o Norte e Nordeste.
Segundo o presidente da instituição, desde o término da instalação do Pólo Petroquímico de Camaçari, a participação do banco em financiamentos na região foi reduzida. Ele diz, ainda no documento, que a nova política operacional do banco para aumentar a desconcentração regional prevê um aumento de 70% para 80% no limite de participação do BNDES nos financiamentos.
Borges citou ainda que, em 1998 e 1999, foram liberados financiamentos para cinco montadoras: Peugeot-Citro$n (RJ), no valor de R$ 335 milhões; Mercedes- Benz (MG), R$ 325 milhões; Volkswagen (PR), R$ 294 milhões, Fiat (MG), R$ 502 milhões, e Ford (Taubaté, Vale do Paraíba, SP), R$ 230 milhões.
Durante o governo de Marcello Alencar (PSDB), antecessor do governador Anthony Garotinho (PDT), foram concedidos incentivos fiscais para a instalação da Peugeot-Citro$n e da Volkswagen - uma isenção de 75% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) num prazo de dez anos.
"Cinco anos depois do início da operação, a fábrica começa a pagar o imposto devido com juros de 3,5% ao ano, sem correção monetária", segundo informação da Secretaria de Comunicação Social do governo fluminense. O governo, que criou o Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (Fundes) para dar incentivos a empresas, tem ainda 35% do capital acionário das duas empresas.

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