Ford pode contratar Fiat para terceirizar montagem na Bahia
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Marli Olmos e Rita Tavares 
São Paulo, 04 (AE) - A Ford do Brasil estuda a terceirização do trabalho na linha de montagem de sua nova fábrica na Bahia, contratando os serviços de uma subsidiária do Grupo Fiat. A informação está na edição de hoje do jornal "Financial Times". A terceirização deste setor, que seria feita pela primeira vez pela Ford, funcionaria como teste e pode implicar numa mudança gradual de suas atividades: de montadora a um grupo global que comercializaria produtos e serviços.
A estratégia, proposta por Jacques Nasser, que há oito meses é o presidente mundial da Ford e que já trabalhou no Brasil, seria um modelo que poderia ser adotado em outras fábricas da montadora em países emergentes, dependendo do sucesso na Bahia. A montadora não quis fazer comentários ao "Financial Times", mas um porta-voz da Ford teria dito ao jornal: "Nós queremos tentar diferentes métodos de produção na Bahia".
No Brasil, a Ford emitiu comunicado informando que "o jornal parece estar confundindo parque de fornecedores com linha de montagem". Segundo as informações transmitidas pela assessoria de imprensa, o conceito de parque de fornecedores não é novo e já foi testado em diversas fábricas da companhia. O projeto da Ford na Bahia prevê a instalação de 17 fornecedores no mesmo terreno.
De acordo com o Financial Times, a empresa Comau, uma subsidiária da Fiat, seria responsável pela montagem final dos veículos na fábrica da Bahia. O jornal, no entanto, informa a seus leitores que esta planta seria instalada na região amazônica, embora diga que seja no Nordeste. "Amazon", citando no artigo, refere-se, na verdade, ao veículo que será fabricado na Bahia. Trata-se de um veículo pequeno rústico, de multi-uso.
No Brasil, a Comau é uma das 17 empresas do grupo Fiat. Presta serviços de engenharia de manutenção, inclusive para a francesa Renault. A Fiat Automóveis não quis comentar a notícia publicada no "Financial Times".
Ao longo da última década, muitas montadoras optaram, de forma crescente, pela terceirização da produção de vários componentes dos veículos, de motores à suspensão. Mas a oposição de sindicatos e restrições da legislação trabalhista impediram que as montadoras terceirizassem a linha final de montagem. Isso traria dificuldades especialmente nos Estados Unidos. Essa experiência, porém, está sendo testada no Brasil, na fábrica de caminhões Volkswagen, em Resende.
"Se (o projeto) funcionar e os sindicatos forem convencidos de que o projeto não é uma ameaça para os trabalhadores, a Ford poderia exportar a idéia para outras fábricas em operação em países em desenvolvimento", disse um analista do setor, de acordo com o "Financial Times".


