São Paulo, 22 (AE) - A direção da Ford decidiu pedir audiência com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT). Tanto os representantes da Ford como os da General Motors não quiseram até agora se pronunciar sobre a decisão de Dutra, de suspender recursos financiados para as fábricas das duas montadoras. A Ford tem uma parcela de empréstimo de R$ 60 milhões mais juros que venceria no próximo dia 30.
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, disse que a decisão do governo gaúcho "tira credibilidade do País".
O caso da Ford é mais complicado que o da GM, uma vez que o prédio ainda não foi erguido. A previsão é encerrar as obras em 2002. O projeto da Ford é de uma fábrica no município de Guaíba que consumiria US$ 700 milhões.
Os fornecedores que pretendem se instalar no terreno aplicariam mais US$ 300 milhões. O modelo a ser produzido em Guaíba é um utilitário rústico, pequeno, totalmente novo, sobre o qual a Ford ainda não fala.
A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou o empréstimo e a primeira parcela, de R$ 40 milhões, foi paga em setembro passado. A próxima, de R$ 60 milhões vai vencer dia 30. A última é maior, de R$ 110 milhões, a vencerá em setembro.
Em comunicado transmitido pela assessoria, a direção da General Motors disse que não comentaria o assunto "tendo em vista não ter recebido posição oficial do governo do Rio Grande do Sul".
GM - A General Motors já recebeu, de uma só vez, empréstimo de R$ 253 milhões, em março do ano passado. Mas a GM ficaria, com a decisão de Dutra, prejudicada por deixar de usufruir dos incentivos fiscais, que incluem a postergação do recolhimento do ICMS.
A compahia está quase concluindo uma fábrica que consumiu US$ 600 milhões em Gravataí. O projeto prevê 2 mil empregos diretos e a instalação de 17 fornecedores diretos de conjuntos de componentes.
A fábrica da GM está sendo feita para produzir um carro subcompacto totalmente novo no mundo, a exemplo do modelo da Ford. Os recursos acertados com a GM fazem parte de fundo criado no governo de Antônio Britto (PMDB).
"A decisão do governo do Rio Grande do Sul vem na contramão do que o País precisa", disse hoje o presidente do Sindipeças. Ele disse esperar que o governador "repense uma solução que não provoque a insolvência do estado".

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