Ford insiste no cumprimento do contrato para ficar no RS
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 7 (AE) - A Ford quer a manutenção de todas as vantagens que constam no contrato firmado durante o governo Antonio Britto (PMDB) para manter seu projeto de implantação de uma montadora em Guaíba (RS). Foi o que afirmou hoje o presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca e Silva, durante depoimento na comissão de economia e desenvolvimento da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
No dia anterior, Silva dissera que a empresa fazia "questão absoluta" de ficar no estado e confiava em um acordo com o governo gaúcho. Na tarde de hoje, a direção da Ford e uma comissão do governo gaúcho começariam a discutir alternativas para manutenção do contrato.
A empresa pretende decidir o assunto até o dia 16 deste mês, quando haverá uma reunião mundial com fornecedores nos Estados Unidos.
Silva reiterou que a Ford necessita dos benefícios para preservar sua competitividade, tanto em relação à outra montadora instalada no Estado - General Motors, em Gravataí - quanto às demais concorrentes espalhadas pelo País e no mundo.
Ele alegou que os incentivos serão "condição fundamental para a manutenção do projeto". Disse que aceita discutir opções, desde que não alterem os valores econômicos, mas que não tomará a iniciativa de propô-las. Para ele, os incentivos são "absolutamente vitais".
A unidade da Ford em Guaíba oferecerá 1,5 mil empregos diretos. Um levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) sustenta que cada emprego direto na indústria automobilística geraria mais 40 na cadeia produtiva.
Pelo acordo, considerado demasiadamente oneroso pelo governo gaúcho, R$ 418 milhões sairão dos cofres públicos para a planta da Ford. Destes, R$ 210 milhões sob a forma de empréstimo para capital de giro - R$ 42 milhões já foram entregues à empresa. Os R$ 208 milhões restantes custeariam obras de infraestrutura, de cunho público ou privado.
O contrato estabelece que os R$ 210 milhões serão pagos pela Ford - segunda indústria do mundo, com faturamento de US$ 144 bilhões em 1998 - sem correção monetária. Os juros acertados são de 6% anuais, com 15 anos para pagar, dos quais cinco de carência. Estudo da gestão atual estima que a renúncia fiscal envolvida nos projetos da Ford e da GM atingirá R$ 5 bilhões.
Além do presidente da Ford do Brasil, estiveram na reunião o vice-presidente mundial da empresa, Martin Inglis; o diretor-executivo do projeto Ford/RS, Luc de Ferran; o diretor de assuntos legais, Waldemar Mussi; e o diretor de assuntos corporativos, Célio Batalha.
Ferran considerou que o Rio Grande do Sul possui localização estratégica na região do Mercosul e um potencial de competição em nível mundial. Para Guaíba, está programada uma produção de 150 mil carros/ano.
Ele adiantou que a Ford, de 1995 a 2001, investirá R$ 3 5 bilhões no País. Na planta de Guaíba, segundo ele, a Ford pagará o salário médio de R$ 600,00.


