Ford foi obrigada a "engolir" o acordo
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 27 (AE) - O anúncio de que a associação das montadoras, a Anfavea, se responsabilizaria pelo compromisso da indústria em aderir ao acordo, feito publicamente ontem (26) pelo presidente da entidade, José Carlos Pinheiro Neto, foi decisivo para que a Ford fosse, de certa forma, obrigada a aderir ao entendimento hoje. Mesmo assim, a decisão final foi antecedida por contatos de dirigentes das demais montadoras e uma certa pressão dos concessionários da marca.
A Ford teve de "engolir" o acordo, do qual discordou desde o início das negociações. Aliás, foi este endurecimento que prolongou a discussão por quase 12 horas, em dois dias. A discordância da Ford entrou num ponto, conta um técnico que participou das reuniões, que surgiu uma "espécie de impasse definitivo". Ou seja, não havia mais espaço para negociar.
Todas as outras montadoras aceitavam a proposta do governo federal de reduzir o incentivo fiscal. Por isso, o presidente da Anfavea anunciou nas diversas entrevistas à imprensa "a falta de 25% da Anfavea" para a unanimidade. Como na entidade ainda predominam só as quatro maiores - Volkswagen, General Motors, Fiat e Ford -, os 25% já denunciavam que apenas uma discordava.
A jogada final do presidente da Anfavea, logo depois de amarrar o acordo até com o presidente Fernando Henrique Cardoso, por meio de ligação telefônica em viva voz, foi anunciar o acordo para a imprensa, juntamente com o secretário de política industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar.
Ambos - Pinheiro Neto e Mattar - se esquivaram de detalhar aos jornalistas a situação real da ausência da Ford. Limitaram-se a anunciar que a Anfavea assumira o compromisso em nome de toda a indústria. Hoje não restou outra saída à Ford senão aderir ao acordo.


