Ford entra no acordo automotivo
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 27 (AE) - A Ford decidiu hoje participar do acordo automotivo. Isto significa que a montadora vai dar o bônus de R$ 375 para os modelos populares, evitando, assim, aumento de preços. A decisão da Ford foi tomada depois de uma reunião da direção da empresa com representantes dos concessionários da marca. Até a assinatura do acordo, hoje, a empresa não havia confirmado adesão. A montadora não anunciou oficialmente a decisão e nem atendeu a imprensa hoje. A notícia foi veiculada por meio da Associação Brasileira dos Distribuidores Ford (Abradif), que representa os concessionários. Num comunicado, a Abradif anunciou que irá "praticar preços competitivos, conforme condições definidas para a redução do IPI e ICMS".
O decreto do acordo emergencial, que fixou alíquotas de IPI de 7% para carros populares e de 20% para os médios, será publicado no Diário Oficial da União amanhã. O presidente da Anfavea foi a Brasília no final da tarde para informar pessoalmente ao governo a decisão da Ford. Ele esteve com o secretário de política industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar. Depois da reunião, o setor se animou a percorrer os Estados para tentar estender a proposta de Mário Covas, que prevê ICMS de 9,5% para os carros.
O presidente da Anfavea quer levar para as visitas aos Estados um grupo de peso, que seria formado pelo presidente do Sindicato da Indústria de Componentes (Sindipeças), Paulo Butori
o presidente da Federação da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
Pinheiro Neto espera contar ainda com o reforço de Mário Covas, nem que seja por meio de telefonemas. "O aval de Covas foi extremamente importante para o acordo", destacou o presidente da Anfavea. O executivo elogiou ainda o empenho do governador de São Paulo, "que passou horas" participando das discussões do acordo, que duraram dois dias. Depois de Jaime Lerner, os dirigentes da indústria querem encontrar, Itamar Franco (MG) e Olívio Dutra (RS). "Apenas o Garotinho (Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro) confirmou concordar com o ICMS de São Paulo", disse Pinheiro Neto.
Novos preços - As listas com os novos preços dos carros médios, que sobem com o acordo, só devem chegar aos concessionários entre amanhã e segunda-feira. O preço do carro popular fica inalterado porque o bônus de R$ 375 (superior ao do acordo anterior, de R$ 350) compensa a elevação do IPI. A alíquota do imposto federal, que originalmente era de 10% para o popular, ficou em 5% na primeira fase do acordo. Agora subiu para 7%.
No caso dos carros médios, a indústria não aceitou dar bônus. Isto significa que haverá aumentos de preços entre 3% e 4 5%. A alíquota do IPI desta faixa (com motor acima de 127 HP) estava no início do ano em 25% e 30%, dependendo da versão do veículo. Na primeira fase do acordo emergencial, em março, foi para 17%. Agora subiu para 20%. O ICMS de São Paulo havia baixado de 12% para 9%. Agora vai para 9,5%.
Mercado - O mercado parou hoje em função de mais um dia de expectativa em torno dos novos preços. Segundo o presidente da Anfavea, se as vendas deste mês somarem 70 mil unidades "será muito". Este volume representa quase a metade do que foi vendido no mês passado. Pinheiro Neto disse que este "é o mercado normal sem acordo".
Os concessionários ainda não repassaram os aumentos de até 9,98% fixados no início do mês pela indústria, que alegou pressão de custos. Há descontos em quase todas as linhas. Os concessionários temem agora não conseguir repassar novo aumento nos preços dos modelos médios.


