Porto Alegre, 28 (AE) - A Ford e o governo gaúcho romperam hoje o diálogo para a instalação de uma fábrica da empresa no Rio Grande do Sul. Logo após a sexta reunião com o secretário de Desenvolvimento do Estado, José Luiz Vianna Moraes
o diretor de Assuntos Legais da companhia, Waldemar Mussi, declarou que "as negociações com o governo do Estado estão encerradas" porque "não houve possibilidade de um ponto de encontro" entre as partes. De acordo com ele, amanhã a Ford anunciará oficialmente sua decisão, que deverá confirmar a suspensão do projeto.
A Ford e o governo estadual estavam há mais de um mês tentando negociar novos termos para a instalação da montadora no município de Guaíba. Os encontros iniciaram depois que Olívio anunciou, em março, a suspensão de repasses financeiros para a empresa e também para a General Motors, acertados com a administração passada, de Antônio Britto (PMDB).
No ano passado o Estado já havia emprestado R$ 42 milhões para a Ford, mas ainda faltariam R$ 418 milhões, incluindo recursos para capital de giro e investimentos em infra-estrutura. Pelo acordo firmado com o governo anterior, o dinheiro seria devolvido em 15 anos, com cinco de carência e juros de 6% ao ano, sem correção monetária.
Solução - O senador Pedro Simon (PMDB/RS) anunciou que proporá uma reunião extraordinária da bancada gaúcha no Congresso para buscar uma solução capaz de manter a Ford no Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Simon estranhou a decisão da empresa, que classificou de "repentina e brusca" e "sem perspectiva de continuar o diálogo". O senador defendeu que governo e oposição procurem "uma tentativa de dialogar com a Ford sem dar a decisão como definitiva".
O presidente da Federação da Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Dagoberto Godoy, criticou o governo estadual, acusando-o de descumprir o contrato assinado pelo governo anterior, de Antonio Britto (PMDB), e de insistir na tese da renegociação. Para Godoy, "quem está colocando fora" o investimento é o governo gaúcho. Disse que o Estado e a Ford devem cumprir cada um a sua parte. Ou seja, se o governo estadual pagar o que foi acordado - R$ 461 milhões no total (dos quais R$ 42 milhões já foram pagos), entre empréstimo favorecido e obras de infraestrutura - a Ford permanecerá no Rio Grande do Sul.

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