Ford demitirá 1.355 trabalhadores no Brasil
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Rita Tavares 
Tóquio, 21 (AE) - A demissão deve ser o destino para os 1.355 trabalhadores da Ford que estão em lay-off no Brasil, sendo 1.080 na fábrica de São Bernardo do Campo, no Grande ABC, e 275 no bairro do Ipiranga, em São Paulo. A previsão é do vice-presidente da área de Produção do Grupo Ford, James Padilla
que era responsável pelas operações na América do Sul até o fim de 1998.
A Ford anunciou recentemente a prrogação, até julho, do regime de afastamento remunerado que venceria em novembro para os trabalhadores de São Bernardo do Campo e, em fevereiro, para os de São Paulo, mas, segundo Padilla, esse quadro não pode perdurar indefinidamente. "Se não temos mercado, não podemos manter essas pessoas empregadas; eu sinto muito, mas essa é a situacão", disse Padilla, que está em Tóquio para participar do 33.º Salão Internacional do Automóvel, que será aberto para o público na sexta-feira (22). Ao falar da ausência de mercado, Padilla referia-se à recessão da economia do País e também à queda de participação da Ford no mercado brasileiro. A montadora vem acumulando prejuízos no Brasil nos últimos anos.
"Não se pode apenas colocar dinheiro sem retorno", argumentou Padilla sobre a estratégia da Ford no País. De acordo com ele, a montadora ainda não espera uma melhoria significativa do desempenho em 2000. "Vamos ter uma recuperação gradual", afirmou, prevendo alguma reação a partir de 2001, que aumentaria em 2002.
Segundo ele, a desvalorização do real em janeiro afetou de forma significativa a lucratividade da Ford do Brasil. Padilla elogiou o trabalho do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que "eles estão fazendo as coisas certas", mas pediu a definição de uma política consistente para importação e o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e criticou o sistema tributário brasileiro, "muito pesado", na avaliação dele. "O Congresso deve fazer sua parte", ressaltou . A nova fábrica da montadora, que será instalada na Bahia para executar o Projeto Amazon, é a grande aposta da Ford no País. Ali, será fabricado um novo automóvel, que, de acordo com Padilla, será um híbrido, possivelmente uma minivan, como se especula no mercado. O vice-presidente confirmou também que a plataforma será a base de teste para uma nova experiência da montadora, tanto na produção como no relacionamento com os fornecedores. "Será algo único", afirmou.
A jornalista viajou a convite da Renault-Nissan.


