Ford dá como certa fábrica na Bahia
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 08 (AE) - As previsões da Ford são otimistas: dentro de no máximo seis semanas as negociações para a instalação de uma fábrica na Bahia serão concluídas. E, tudo indica, que haverá um acordo. "As negociações da Ford com o governo da Bahia continuam e deverão ser concluídas a qualquer momento - este mês ou, no máximo, em agosto", informou hoje Jim Bright, porta-voz da Ford para operações na América Latina. "Estamos otimistas porque sentimos que há boa vontade", acrescentou.
Se houver acordo, a Ford contribuirá com metade do investimento de US$ 1,3 bilhão - cerca de US$ 700 milhões. O resto, segundo Bright, será desembolsado por 15 a 20 grandes fornecedoras de peças e autopeças, "que já têm presença na região" e pelo governo baiano.
O resultado das negociações depende, basicamente, da capacidade de o governo baiano conceder incentivos fiscais sem violar normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) - algo que imediatamente seria questionado por europeus e asiáticos, cujas empresas automotivas competem com a Ford. "Se existem obstáculos, achamos que podem ser superados", disse Bright, ao explicar que a Ford escolheu a Bahia, dentro vários estados, "por causa da boa vontade das autoridades em negociar".
Pelas regras comerciais internacionais atuais, o comércio compensado está proibido: ou seja, não se pode negociar com uma empresa a concessão de certos benefícios (como isenção de impostos) em troca de determinado desempenho exportador ou do compromisso de adquirir certa quantidade de insumos no mercado interno. E foi justamente em nome dessas duas causas - aumentar as receitas de vendas ao exterior e beneficiar a indústria nacional, gerando ainda mais emprego - que o Brasil defendeu seu regime automotivo. Se a Ford investir no Brasil, seu principal interesse será garantir o mercado interno. Apesar de hoje a oferta de veículos ser maior que a demanda (a crise financeira internacional e a recessão contribuíram para desaquecer o mercado), pelos cálculos da Ford as vendas mundiais de carros e caminhões aumentarão de 51,8 milhões de unidades em 1998 para 62,3 milhões em 2008. "E a maior expansão se dará na América Latina, na ásia e no Pacífico", explicou Bright.
Apesar do otimismo da Ford, existem vários obstáculos políticos e econômicos que atrapalham as negociações da empresa com a Bahia. Um deles foi o anúncio da decisão brasileira de não renovar cotas tarifárias (um mecanismo para facilitar a importação de carros da Europa e da ásia, cujos fabricantes não haviam sido beneficiados pelo regime automotivo). Apesar de essa ser uma concessão unilateral, era a forma diplomática de evitar que os descontentes questionassem o regime automotivo do Brasil na OMC.
O Brasil poderia sempre conceder incentivos fiscais à Ford sem exigir um desempenho exportador ou a aquisição de insumos no mercado interno. Bright lembrou que essa prática é comum nos EUA
onde os estados de Indiana e Kentucky fizeram tudo que estava a seu alcance para atrair os investimentos da Toyota do Japão.
"Dar incentivos sem exigir um desempenho exportador não violaria normas da OMC, mas colocaria em risco as relações com a Argentina e os outros dois parceiros brasileiros do Mercosul", explicou um diplomata brasileiro.
No passado, os parceiros do Mercosul perdoaram o Brasil (quando inventou o regime automotivo para o Nordeste) por saber que, mais que uma estratégia econômica, era um compromisso político do presidente Fernando Henrique Cardoso com o senador Antônio Carlos Magalhães. Mas hoje FHC já garantiu a sua reeleição e os argentinos estão em plena campanha pela sucessão.


