Ford Brasil troca de presidente em julho
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 9 (AE) - O presidente da Ford Brasil, Ivan Fonseca e Silva, deixará o cargo no próximo mês. A informação foi confirmada por ele mesmo com exclusividade para AGÊNCIA ESTADO. Fonseca e Silva assumirá a vice-presidência da Ford para a América do Sul, um cargo subordinado a Martin Inglis. A presidência da Ford Brasil será assumida por um executivo que não pertence ainda à companhia, cujo nome ainda é mantido em sigilo.
Segundo Fonseca e Silva, a sua missão, a partir de agora será cuidar da aproximação dos mercados do Brasil, Argentina e Venezuela, principalmente. Uma de suas últimas missões na presidência da montadora foi participar hoje de reunião com o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), em mais uma etapa da peregrinação da empresa em busca de novo local para a fábrica que seria construída no Rio Grande do Sul.
Depois da reunião com Covas, Fonseca e Silva disse que a manutenção do elenco de incentivos dados no Rio Grande do Sul antes de o governador Olívio Dutra (PT) romper o acordo "é absolutamente básico" para o projeto. "Caso contrário, não teremos como competir com nossos concorrentes", destacou Fonseca e Silva, que disse já ter tido contatos com Bahia, Pernambuco Espírito Santo e Paraná. A empresa ainda vai se reunir com o governo de Santa Catarina.
No novo cargo, Fonseca e Silva continuará morando no Brasil. A empresa deverá ter um escritório, segundo explicou, fora da atual sede - a fábrica de São Bernardo do Campo - para administrar os negócios do Mercosul.
Na Ford há 26 anos, ele foi o único brasileiro a assumir a presidência de uma montadora. O executivo assumiu esse cargo em 1996, quando da extinção da Autolatina. Durante a união da Volkswagen e Ford, Fonseca e Silva assumiu a vice-presidência de assuntos jurídicos. Antes disso, havia sido diretor de recursos humanos na Ford.
Acordo - Fonseca e Silva e a Ford foram criticados durante as negociações da segunda fase do acordo automotivo emergencial, fechado há duas semanas, pela posição contrária à concessão, pelas montadoras, de bônus mais elevados no carro popular como forma de compensar o aumento de IPI.
Hoje o atual presidente da Ford levantou a possibilidade de o mercado continuar parado, mesmo depois do acordo porque os preços não baixaram. "Nós não éramos contra o bônus; mas preferíamos que tivesse sido repassado para o consumidor ao invés de ir para o Everardo (Everardo Maciel, secretário da Receita Federal)", disse.
A Ford foi voto vencido entre as montadoras na elevação do bônus para o carro popular de R$ 350,00 para R$ 375,00 ao mesmo tempo em que o IPI subiu de 5% para 7%.
Fonseca e Silva disse hoje que o governo terá de renovar o acordo emergencial daqui a 90 dias, embora sustente que não tomará esta atitude. O executivo lembrou que se o acordo não for renovado o mercado não poderá chegar nem a 1,2 milhão de veículos, o que somaria um volume aproximado de 300 mil unidades menos do que o ano passado.
Segundo Fonseca e Silva, a Ford, última colocada entre as quatro maiores marcas, reagiu em maio, conseguindo aumentar a sua participação de 11% para 12,3%. Ele atribuiu o desempenho à venda de pickups e caminhões.


