Ford ameaça ir à Justiça se Olívio Dutra romper contrato
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Sergio Bueno 
Porto Alegre, 08 (AE) - O presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca e Silva, disse hoje que a empresa irá recorrer à Justiça se o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), romper o contrato de benefícios firmado com a administração passada para instalar uma fábrica no município de Guaíba (RS). "Se houver rompimento das condições originais do programa a Ford e seus fornecedores terão que responsabilizar o Estado pelos prejuízos", disse o executivo em palestra a empresários gaúchos na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Segundo Fonseca e Silva, tanto a montadora quanto seus fornecedores já fizeram "investimentos enormes" na preparação para a instalação das plantas industriais e no desenvolvimento de componentes para o veículo que será produzido no local. "Há a necessidade de alguém se responsabilizar", afirmou. O executivo reiterou, porém, que mantém uma "expectativa positiva" de receber uma "posição mais específica" do governo sobre forma de resolver o impasse desencadeado depois que Olívio Dutra anunciou a suspensão de financiamentos subsidiados à empresa. Na próxima terça-feira técnicos da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai) e da empresa têm novo encontro para discutir o assunto.
Depois de se reunir ontem com o governador, Fonseca e Silva afirmou que precisa de uma resposta do Estado até o próximo dia 16. Neste dia a empresa terá um encontro com seus fornecedores da futura fábrica de Guaíba para definir o ritmo dos investimentos no local. "Esta não é uma imposição da Ford, mas uma necessidade que temos", ressalvou. Se o acordo for fechado até lá, ele acredita que a companhia poderá manter a previsão de inaugurar a fábrica em setembro de 2001.
O governo passado, de Antônio Britto (PMDB), ofereceu incentivos fiscais e financeiros para a Ford e a General Motors instalarem unidades montadoras no Estado. Além de um financiamento sem juros nem correção monetária com base na isenção de ICMS durante 15 anos, o Rio Grande do Sul comprometeu-se a investir R$ 866 milhões em empréstimos e obras de infra-estrutura para as duas empresas. Deste total, R$ 466 milhões foram aplicados em 1998 e agora o novo governo suspendeu os repasses em função das suas dificuldades financeiras.
A Ford foi a mais atingida pela medida, pois seu projeto é mais recente do que o da a GM. Dos R$ 461 milhões que deveria receber do Estado, ela conseguiu apenas R$ 42 milhões até agora. Outros R$ 419 milhões foram bloqueados, sendo R$ 184 milhões em recursos para capital de giro e o restante em aportes para infra-estrutura.


