STARIYE ATAGI, Rússia, 29 (AE-AP) - As forças russas alegam ter tomado nesta terça-feira (29) o controle da última grande fortaleza dos rebeldes nas montanhas e soldados estacionados em todas as partes da república separatista da Chechênia se abraçavam e parabenizavam uns aos outros acreditando que a conquista leva ao fim da guerra.
Mas apesar de as tropas terem hasteado a bandeira russa na cidade de Shatoi, os combates prosseguiam nas montanhas próximas à cidade e alguns rebeldes se aventuraram fora das montanhas para lançar ataques contra as planícies cujo controle foi tomado pela Rússia há algumas semanas.
Acreditava-se que a maioria dos rebeldes que saíram vivos de Grozny seguiu em direção às montanhas para unir forças com seus camaradas e estimava-se que mais de 4.000 rebeldes se encontravam em Shatoi.
As semanas de bombardeios e ataques incendiários enfraqueceram os rebeldes e os soldados russos seguiram em direção à cidade na noite de segunda-feira.
O coronel-general Gennady Troshev, um importante comandante russo na Chechênia, disse que a queda de Shatoi marca o fim das ofensivas militares de larga escala.
"Shatoi é o último ponto densamente povoado, um centro regional, cercado por nove assentamentos. Hoje o local está sob total controle de nossas forças", disse Troshev.
Segundo ele, serão necessárias pelo menos três semanas para que a expulsão dos guerrilheiros de toda a região seja concluída.
O ministro da Defesa da Rússia, Igor Sergeyev, informou pessoalmente o presidente interino Vladimir Putin sobre a conquista. Favorito às eleições presidenciais de 26 de março, Putin deve à guerra sua enorme popularidade entre os russos.
As informações disseminaram orgulho em Stariye Atagi, uma base militar russa situada 20 quilômetros ao norte. Soldados se abraçavam, disparavam para o ar e molhavam uns aos outros com qualquer bebida alcoólica que encontrassem.
"Agora eu quero ir pra casa. Eles prometeram que seríamos os primeiros a partir", disse o soldado Yuri Sevastyanov, de 19 anos.
Mas oficiais menos graduados comentaram que a luta continua intensa na região montanhosa no sul da república, onde os rebeldes se concentram.
As forças chechenas também atacaram posições russas perto de Urus-Martan, cidade tomada pelas tropas federais em dezembro e situada cerca de 30 quilômetros a sudeste da capital, Grozny.
Em Moscou, o comissário do Conselho da Europa para Direitos Humanos, Alvaro Gil-Robles, disse à imprensa que é necessário investigar os relatos de matanças e torturas cometidas na Chechênia. Gil-Robles esteve ontem na região e retornou nesta terça-feira para a França.

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