San Salvador, 04 (AE-REUTERS) - As eleições de domingo, (07) nas quais competem novamente pela presidência as forças que se enfrentaram na passada guerra civil salvadorenha, não conseguiu atrair o interesse dos eleitores.
A manifestação apática dos três milhões de inscritos no tribunal eleitoral coincidiu com uma campanha de propaganda desanimada e da qual o partido governista parece ter tirado proveito.
Dos sete candidatos inscritos, apenas o da governamental Aliança Republicana Nacionalista (ARENA), Francisco Flores, e o do ex- guerrilheiro Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), Facundo Guardado, têm chance de chegar à presidência.
Diversas pesquisas, que previram pelo menos 50% de abstenção eleitoral, deram vantagem de Flores sobre Guardado, apesar de também antecipar que possivelmente ambos disputarão o segundo turno em 18 de abril.
Isto seria uma repetição do que ocorreu em 1994, quando a ARENA arrasou o candidato da FMLN no segundo turno apenas dois anos após ter firmado os acordos de paz.
"O grande ganhador da eleição é a abstenção", profetizou o analista Héctor Dada, que considerou o fato como "grave" para o avanço da democracia.
Mas os que forem às urnas emitirão um "voto desesperançoso", pois, apesar de nas sondagens os eleitores garantirem que a ARENA não resolve seus problemas, a maioria crê que seria "um mal menor", disse.
O economista e ex-membro de uma Junta de Governo em 1980, também aludiu ao fato de as maquinarias que encabeçaram o conflito, que em 12 anos custou 75.000 vidas, parecem não serem capazes de resolver os problemas atuais.
"As estruturas partidárias da guerra parecem ter esgotado sua capacidade de responder aos anseios da população", disse Dada, apesar de considerar como um "legado" a necesidade de transformação.
Outros acreditam que a possibilidade de que a presidência seja disputada em um segundo turno valeria o caminho da democratização pois o ganhador chegaria ao poder com um pouco mais de humildade.
O bispo auxiliar de San Salvador, Gregorio Rosa Chávez, manifestou-se "decepcionado" porque os candidatos não fizeram propostas concretas para resolver os problemas que afligem a população, como a delinquência, o desemprego e um programa econômico aceitável pela maioria.
Mesmo para quem acredita que o povo agora é "mais exigente", o clima da campanha foi de muita indiferença e gerou uma excessiva apatia "e isso é perigosíssimo porque no fundo estamos quase perante um suicídio coletivo", advertiu.
Esse "fatalismo" e "resignação" fez com que as mensagens dos políticos tenham sido medíocres e pouco comprometidas com a sociedade.
O poeta e reitor da universidade José Matías Delgado, David Escobar Galindo, também acha que o ambiente de pouco entusiasmo e desinteresse dos cidadãos "foi perceptível ao longo da campanha".
O vencedor das eleições assumirá o poder em junho, para um período a ser encerrado em 2004.

mockup