Grozny, Rússia, 04 (AE-AP) - Os rebeldes chechenos estão contra-atacando com ferocidade as tropas federais na capital da Chechênia, Grozny, e nas montanhas do sul, infligindo diariamente pesadas baixas aos militares russos. Essa reviravolta, que pode mudar o rumo da guerra daqui para a frente
é admitida pelo líder de uma milícia chechena pró-Rússia, Malik Saidulayev, um dos políticos locais que Moscou pretende pôr à frente do governo da república, tão logo consiga derrotar os guerrilheiros. "As forças rebeldes chechenas passaram à contra-ofensiva", afirmou Saidulayev, para quem elas estão agora tomando a iniciativa nos combates.
Os guerrilheiros lançaram um ataque no oeste de Grozny na segunda-feira e quase retomaram o controle dos povoados de Alkhan-Kala e Alkhan-Yurt, conquistados pelos russos há mais de um mês. Ao mesmo tempo, a imprensa moscovita tem divulgado com mais frequência dados sobre o aumento das baixas entre as tropas russas e relatos de soldados reclamando da falta de coordenação das operações na capital chechena.
Um correspondente da emissora de TV privada NTV em Mozdok, uma das bases russas no Cáucaso, disse ter presenciado em apenas meia hora a repatriação de dez soldados feridos no distrito de Staropromyslovski, na capital. Fontes militares ouvidas pela NTV disseram que os combates em Grozny deixam diariamente ao menos dez mortos e dezenas de feridos do lado russo. As baixas entre os rebeldes também são elevadas.
O alto comando russo na Chechênia tem tentado dobrar a resistência dos guerrilheiros em várias frentes, sem conseguir avanços significativos. A cidade vem sendo bombardeada desde setembro e está sob ataque das unidades terrestres há duas semanas. Nesse período, as forças federais só conseguiram controlar o bairro de Staropromyslovski, no norte - segundo os chechenos. E ainda assim, militares rusos queixam-se de que não têm todo o controle desse distrito. "Soldados são mortos às dezenas... somos atingidos até por nossos morteiros", disse um deles à NTV.
O aumento das baixas do Exército tende a minar o moral dos soldados. Até o mês passado, o alto comando dava ênfase aos ataques da aviação e artinharia e evitava entrar em combate com os rebeldes, numa estratégia para poupar vidas.
Diante da enorme superioridade russa em homens e armas, as forças chechenas parecem agora concentrar suas ações na defesa de Grozny e na reagrupação de seus homens nas regiões montanhosas do sul, de difícil acesso e mais favoráveis para uma guerra de guerrilhas. Segundo o governo russo, cerca de 100 mil homens do Exército e de unidades especiais do Ministério do Interior estão atualmente na Chechênia, apoiadas por aviões, helicópteros, blindados, canhões e lança-foguetes.
"A concentração das forças russas é tal que, no fim, Moscou conseguirá estabelecer o controle formal sobre o território checheno. As dificuldades começarão depois. O mais desagradável virá após o que chamarão de vitória", advertiu o analista Andrei Piontkovskim, do Centro de Estudos Estratégicos de Moscou.