Forças pedem negociação em Kosovo; Sérvia é favorável
Londres, 29 (AE-REUTERS) - Os seis países que integram o Grupo de Contato marcaram para o próximo sábado, na França, o início das negociaçäes de paz entre o governo sérvio e os rebeldes separatistas de Kosovo e advertiram às partes de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) adotará açäes militares se eles não agirem para promover a paz.
O ultimato estabelece que as duas partes devem concluir as conversaçäes num prazo de sete dias, com o objetivo de definir "elementos para uma substancial autonomia para Kosovo" e chegar a um acordo em 21 dias. A região é uma província sérvia na qual mais de 90% da população é albanesa étnica.
O presidente da Iugoslávia - integrada pelas repúblicas da Sérvia e de Montenegro - rejeitou indiretamente a realização de negociaçäes internacionais sobre Kosovo e propôs conversaçäes diretas entre as comunidades sérvia e albanesa na própria província. O comunicado do governo não fez referência às decisäes do Grupo de Contato.
Horas antes, o governo sérvio anunciara que recebia bem os esforços internacionais em prol de negociaçäes, mas assinalou que suas forças não respeitariam um cessar-fogo - pré-condição imposta por líderes da comunidade albanesa - porque considera o ELK uma organização terrorista.
O encarregado de relaçäes exteriores da guerrilha, Pleurat Sejdiu, disse em Tirana, capital da Albânia, que seu grupo rejeita as negociaçäes propostas pelo Grupo de Contato.
"Enquanto a Sérvia não retirar suas forças de Kosovo e não forem interrompidos os combates, não haverá clima para o diálogo político nem reuniäes na França", afirmou à emissora de rádio BBC.
Enquanto o Grupo de Contato, formado por Estados Unidos, Rússia, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália, fixava em Londres regras para um acordo, a violência prosseguia em Kosovo.
Forças de segurança sérvias mataram 24 albaneses étnicos horas depois de um policial sérvio ter sido morto pelos rebeldes separatistas. Segundo as autoridades sérvias, os albaneses eram membros do Exército de Libertação de Kosovo que entraram em confronto com tropas sérvias, mas observadores internacionais disseram que eles estavam em trajes civis. A missão de verificadores da Organização para Segurança e Cooperação na europa (OSCE) informou que "24 civis do sexo masculino foram mortos no povoado de Rogovo, oeste de Kosovo", em uma operação das forças de segurança sérvias.
Firmeza - "Nós enviamos a ambas as partes uma mensagem inequívoca: sejam sérios. Fazer demonstraçäes não será bom o bastante", enfatizou a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, após o encontro em Londres.
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, reforçou as declaraçäes de Albright, dizendo, em Washington, que o país e seus aliados estão unidos em sua estratégia política e militar de pressionar a Sérvia para pôr fim a ataques em Kosovo. "Estamos prontos para apoiar essa estratégia com o uso da força", garantiu Clinton.
Entretanto, a Rússia mantém-se avessa ao uso da força contra a Sérvia, sua tradicional aliada. O chanceler russo, Igor Ivanov, afirmou que o Grupo de Contato não discutiu hoje o uso da força. "Todos concordarqm que a situação só pode ser resolvida por meio de conversaçäes de paz", insistiu. "Nenhum ultimato foi discutido hoje." Em Moscou, a chancelaria emitiu um comunicado rejeitando categoricamente o uso da força.





