BRASÍLIA - Jovens portadores do vírus da Aids poderão ser impedidos de ingressar nas Forças Armadas, a partir do próximo ano. Contrariando a legislação, os ministérios da Saúde, Trabalho e as Forças Armadas vão discutir a possibilidade de tornar obrigatório o teste de HIV para admissão.
O problema começou a ser discutido ontem no 2º Seminário Internacional sobre Aids nas Forças Armadas e Polícias da América Latina. Pelos cálculos dos departamentos de Saúde das Forças Armadas, 1.396 integrantes diretos e indiretos do Exército, Marinha e Aeronáutica já contraíram a doença.
A necessidade dos exames para os alistandos foi defendida pelo coronel-médico José Pedro Lopes Teixeira, do Departamento de Saúde da Aeronáutica. ‘‘Nossa intenção é proteger as pessoas e a corporação’’, explicou Lopes, assegurando que o ingresso de um portador de Aids nas Forças Armadas poderá comprometer outros militares. ‘‘As alterações neuropsiquiátricas decorrentes da doença podem, por exemplo, atingir um militar que esteja manuseando uma arma e causar problemas’’, observou o militar.
A normatização atual sobre o assunto - uma portaria interministerial - proíbe a realização de testes para admissão em emprego e garante o sigilo entre as pessoas que desejem realizar exames para detecção do vírus. Mesmo admitindo a necessidade de rediscutir a atual portaria, o coordenador em exercício do Programa Nacional de Aids, Pedro Chequer, assegura que existem outras formas de evitar a propagação da doença nas Forças Armadas.
‘‘Existem métodos que podem ser usados, como a distribuição de preservativos entre os militares’’, diz Chequer.

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