Forças Armadas e PF vão fazer operação no Pará
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Leonencio Nossa<bR>Agência Estado - De Brasília 
Homens das Forças Armadas e da Polícia Federal vão participar de operação contra a violência e tortura em disputas pela terra no sul do Pará. O governo tem dados sobre o recrudescimento da violência na região. Relatório feito pelo ouvidor agrário nacional, Gersino José da Silva Filho, mostra que só neste ano dez pessoas foram assassinadas no Estado, quatro em decorrência direta de conflitos de terra.
No País, o número de mortes chega a 50 - oito em disputas agrárias. Sem falar nas milícias montadas por fazendeiros. A operação deve ser feita em janeiro. Na região, no final dos anos 60, começou a Guerrilha do Araguaia, maior conflito rural durante o regime militar.
''Pistoleiros estão fazendo o papel de agentes do governo no Pará'', diz Silva. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro, a decisão de mandar tropas para o sul do Pará foi tomada depois que se verificou um ''recrudescimento'' da violência no campo.
Os ministros da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, formalizaram ontem a força-tarefa que será integrada por órgãos públicos municipais, estaduais e da União.
Coordenador do grupo de trabalho da Câmara que investiga a Guerrilha do Araguaia, o deputado Luiz Greenhalgh (PT-SP) diz que irá acompanhar a operação do governo. ''Se for para coibir a violência na região, essa operação terá o nosso apoio'', ressaltou o parlamentar. ''Mas se tiver o objetivo camuflado de monitorar as investigações sobre os desaparecidos do Araguaia ou combater o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, eu vou denunciar.''
No próximo dia 19, em Marabá, será instalada uma câmara técnica com a participação de representantes de movimentos sociais, como o MST, e órgãos públicos para estabelecer mecanismos de desenvolvimento econômico dos 50 municípios da região. Depois do Pará, a operação poderá ser estendida para o Norte do Paraná, sul de Rondônia e até a região do Entorno do Distrito Federal, área de grilagens de terra e alto índice de assassinatos.


