Forças Armadas apóiam independência do Timor Leste
Jacarta, 28 (AE-REUTERS) - O chefe das Forças Armadas (Abri) da Indonésia manifestou hoje (28) seu apoio à proposta do presidente do país B.J. Habibie, de conceder independência ao Timor Leste se sua população rejeitar o status de província autônoma.
Ontem, Habibie surpreendeu a comunidade internacional ao anunciar que os timorenses decidirão seu futuro. O ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas, general Wiranto, declarou hoje que, se se chegar a uma situação na qual o território possa separar- se sem traumas da Indonésia, os militares não se oporão à cisão.
"A intervenção da Abri no Timor Leste foi para evitar maior derramamento de sangue, depois que Portugal abandonou a região arbitrariamente", declarou Wiranto. "Era a melhor solução. Não devemos mais acusar-nos uns aos outros."
A Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa em 1975 e a anexou no ano seguinte, contra o parecer das Naçäes Unidas, que não reconhece a soberania de Jacarta e acusa o governo indonésio de graves violaçäes dos direitos humanos no território. Entidades humanitárias internacionais estimam que que cerca de 200 mil pessoas - em uma população de 800 mil, atualmente - morreram de fome, doenças ou em luta contra o domínio indonésio.
Hoje, o general Wiranto afirmou que mil militares perderam a vida nos combates contra a guerrilha separatista.
Diplomatas da Indonésia e de Portugal - país reconhecido pela ONU como administrador de Timor Leste - iriam reunir-se hoje em Nova York para continuar as negociaçäes sobre o status do território. Hoje, o chanceler indonésio, Ali Alatas, afirmou em Jacarta à agência de notícias indonésia Antara que a decisão de assegurar autonomia ou independência ao Timor Leste foi tomada "após uma reflexão madura". "Caso a maioria da população não aceite a autonomia, então se iniciará o processo de liberação, de forma pacífica, com a ajuda da ONU", disse Alatas.
A proposta do governo prevê que a independência seja aprovada pelo Parlamento que será eleito no dia 7 de junho. Hoje, a Câmara dos Representantes aprovou as reformas políticas que preparam o terreno para essa eleição. Foram as maiores mudanças na constituição do país desde 1945. As mudanças incluem redução do número de cadeiras para os militares, de 75 para 38; fim da limitação de partidos nas eleiçäes (antes somente três podiam disputá-las); e diminuição do número de parlamentares de 1 mil para 700.





