Forças Armadas adotam sigilo contra crime organizado no RJ
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - A estratégia das Forças Armadas para impedir a ação dos traficantes e garantir a tranquilidade no Rio durante o carnaval é o sigilo em torno das operações. O Comando Militar do Leste (CML), que coordenará a chamada ''Operação Guanabara'', mantém segredo sobre o número de militares do Exército, Marinha e Aeronáutica que atuarão e o tipo de policiamento a ser feito.
A operação começou ontem, timidamente. As tropas podiam ser vistas em pontos próximos aos quartéis e à Vila Militar, na zona oeste do Rio. É a primeira vez que as Forças Armadas atuam durante o carnaval carioca.
Os militares saíram às ruas ao meio-dia e ficarão até a Quarta-Feira de Cinzas, ''no mínimo'', disse o oficial de Comunicação Social do CML, coronel Ivan Cosme Pinheiro. Por enquanto, segundo ele, não há orientação sobre a extensão da operação depois do carnaval. ''Numa situação dessas em que estão envolvidos elementos de alta periculosidade, nós temos que nos valer do fator surpresa'', afirmou Pinheiro.
A mobilização tem como objetivo a ''garantia da lei e da ordem'' e se estenderá por toda a Região Metropolitana. Segundo o CML, a medida está amparada pela Constituição Federal e na Lei Complementar número 97, de 1999.
O Centro de Operações de Segurança Integrada (Cosi) centralizará o comando das ações e contará com representantes do Exército, Marinha, Aeronáutica, polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e civil, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Guarda Municipal.
O CML não informou sequer se a operação terá os mesmos moldes das demais feitas no Rio. A última delas foi desencadeada no primeiro e segundo turnos das eleições passadas. Três mil militares ocuparam as ruas e oito mil ficaram de prontidão nos quartéis. Durante a ''Operação Rio'', em 1994, soldados do Exército e fuzileiros navais subiram favelas e patrulharam as ruas por cerca de dois meses.


