Força-tarefa vai apurar sequência de rebeliões
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Roger Pereira e Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O secretário estadual de Segurança Pública, Leon Grupenmacher, confirmou ontem, durante coletiva no quartel da Polícia Militar (PM), que uma força-tarefa vai investigar a sequência de rebeliões no Estado desde dezembro do ano passado, cinco somente entre agosto e setembro. O último motim terminou ontem à tarde, na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP) 2, na região metropolitana de Curitiba.
De acordo com Grupenmacher, a possibilidade de facilitação por parte de agentes penitenciários não foi descartada pela investigação. "É uma época difícil e conturbada, não só aqui, mas também em São Paulo e no Maranhão, pois estamos próximos de um período eleitoral. Tem que ser investigado se existe alguma conotação política nisto tudo e, se ficar comprovado que algum agente público esteve envolvido, será aplicada uma punição", prometeu.
Segundo o secretário, as autoridades "estranham" a sequência de eventos e avaliam que "não há motivação que justifique tantas rebeliões em diversas regiões do Estado". "Não se pode ficar três anos em silêncio e, a praticamente 15 dias da eleição, surgirem tantas motivações para provocar motins. Não havia superlotação, maus-tratos. Não é um sistema que está saturado, um caos. Então não há justificativa plausível para estas ocorrências", completou.
O subcomandante da Polícia Militar, Péricles de Matos, garantiu que a força policial deveria permanecer dentro da PEP 2 até que a segurança seja completamente restabelecida na galeria danificada pelo motim. Conforme a PM, aproximadamente 200 policiais participaram das negociações, desde o início da rebelião. Ao todo, 63 apenados participaram da ocorrência. "Três amotinados acabaram passando mal e foram encaminhados para o Complexo Médico Penal (CMP), mas ninguém ficou ferido e o motim foi finalizado de forma pacífica", relatou Matos.
MOTIM
A Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) considerou encerrada a rebelião da PEP 2 por volta das 14 horas de ontem, quando os dois agentes penitenciários que eram mantidos reféns foram libertados. Segundo a Seju, eles não apresentavam ferimentos, mas foram encaminhados para exames médicos.
Os rebelados concordaram em encerrar o motim após a Seju atender reivindicações como repor 50 colchões queimados durante o tumulto da semana anterior, conserto de celas e reforço nas grades que separam duas alas do presídio. A construção de muro para isolar os presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foi considerado inviável pela secretaria.
De acordo com a Seju, a PEP 2 tem capacidade para 1.108 detentos e abriga 1.035. O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), no entanto, lembra que a capacidade original da unidade é de 960 presos e foi aumentada por uma resolução que determinou o acréscimo de presos sem ampliação da estrutura.


