Força-tarefa investiga intoxicação em resort
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de novembro de 2005
Angela Lacerda<br>Agência Estado 
Cabo de Santo Agostinho- A presidente da rede de hotéis Blue Tree, Chieko Aoki, informou ontem que uma força-tarefa contratada pelo grupo, composta por especialistas das áreas administrativa, jurídica, médica, sanitária e de recursos humanos, participa das investigações para averiguar o que teria provocado a intoxicação alimentar em cerca de 100 pessoas durante um Congresso Nacional de Magistrados realizado entre os dias no início do mês no hotel de luxo da rede, localizado no município metropolitano do Cabo de Santo Agostinho.
Na ocasião, Bruna Oliveira, de 9 anos, filha de um casal de juízes estaduais de Pernambuco que participavam do evento, morreu no dia 7 na UTI do Hospital Memorial São José, vítima de infecção generalizada pós-gastroenterite. Ela começou a ter febre durante o congresso, depois vômitos e diarréia. O hotel foi fechado para o evento, realizado no começo do mês, que reuniu cerca de 700 pessoas, entre magistrados e acompanhantes.
''Queremos apurar tudo, buscamos a verdade'', afirmou a presidente da rede hoteleira. Há 30 anos no ramo, Aoki disse ter sido este o maior choque da sua vida no campo profissional. O Blue Tree tem 27 hotéis no Brasil. O resort do Cabo de Santo Agostinho, no litoral sul pernambucano, recebe uma média de 120 mil hóspedes por ano. Com oito anos de existência, passaram pelo estabelecimento nesse período mais de um milhão de pessoas. Segundo ela, o fato não abalou a credibilidade construída pelo grupo. Apenas um evento foi remanejado devido às investigações das vigilâncias sanitárias do Cabo e do Recife, mas não houve desistências nem cancelamentos de reservas.
Amanhã, o hotel reassume a cozinha, mantendo os mesmos fornecedores - cerca de 100 empresas de alimentos, 90% delas de Pernambuco. Depois de fechada por alguns dias para inspeção sanitária, a cozinha foi terceirizada, ficando a cargo de um bufê pernambucano. Dos 390 funcionários do hotel, cinco ainda estão afastados tratando-se de doenças de pele detectadas. Segundo Chieko Aoki, todos os funcionários usam luvas na manipulação de alimentos.
Exames preliminares descartaram contaminação da água do resort. Dos 4 mil itens de alimentos e bebidas do hotel analisados por agentes da vigilância sanitária apenas um saco de damascos estava fora da validade. Estava fechado, não havia sido utilizado.
De acordo com Chieko Aoki, o que aconteceu foi ''um sinal de Deus''. ''Fazemos auditoria de qualidade, mas descobrimos que não é suficiente'', observou. ''Somos frágeis''. Ela afirmou que todos os hóspedes do Congresso estão sendo contatados. ''Vamos analisar caso por caso'', disse. ''Espero que seja identificado o que provocou''.
Aiko esteve em Pernambuco outras duas vezes, sempre evitando a imprensa, desde o incidente. ''Estava confusa, ainda tomando pé da situação, tudo o que eu falasse seria leviano''. Na primeira visita, dois dias depois do enterro da menina, ela falou com a família, a quem elogiou pela seriedade e força interior.


