São Paulo, 01 (AE) - Este parece ser o ano da Força Sindical. A entidade, que sempre viveu ofuscada pelo brilho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), está virando o jogo ao especializar-se na luta pelo emprego. Com isso, vem ganhando não apenas mais sindicatos - de 500 há dois anos, hoje cerca de mil são filiados - como também mais espaço na mídia, reconhecimento da opinião pública e prestígio nas bases.
O vigor da luta pela manutenção dos empregos na Ford instalada no bairro do Ipiranga, que será fechada, é apenas um entre muitos episódios em que a segunda maior central do País está mostrando brilho ímpar, quando boa parte do sindicalismo dá sinais de imobilidade.
Gostando ou não das posições políticas liberais de seus comandantes, a sociedade está vendo o resultado de um trabalho muito ágil da Força Sindical em favor daqueles que estão com seus postos de trabalho ameaçados.
A central tornou-se a principal interlocutora dos trabalhadores em suas lutas pela manutenção do emprego no caso Mappin/Mesbla, Brahma/Antarctica, Metalúrgica Nardini e Justiça do Trabalho, por exemplo.
Para aqueles que já perderam empregos, o trabalho desses sindicalistas também tem sido expressivo. Em apenas um ano, a Força inaugurou quatro unidades de seu Centro de Solidariedade ao Trabalhador (São Paulo, ABC, Osasco e Guarulhos) e vai inaugurar a quinta, em Recife, em breve. Os centros são um misto de agência de empregos, espaço de orientação para aqueles que estão fora do mercado e escola de qualificação, hoje com 79 mil alunos, com recursos de R$ 12 milhões este ano.
Em São Paulo, além da utilização da sede, no bairro da Liberdade, a central está montando salas de aula em 67 bairros da periferia, resultado de negociações com a comunidade que passam inclusive pela aprovação de marginais que dominam determinadas áreas.
A meta é fazer com que o movimento sindical substitua o Sistema Nacional de Empregos (Sine), que come todos os anos R$ 80 milhões em dinheiro público e, salvo raras exceções, não funciona, segundo o presidente da central, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
"Eu sei que muito secretário estadual do Trabalho vai ficar chateado com o que vou dizer, mas a verdade é que o Sine está falido, inclusive o de São Paulo, e se fechar ninguém vai nem perceber."
Central de poucas reuniões e de muita ação, a Força Sindical notabilizou-se nos últimos tempos não apenas pela modernidade e eficiência de seus centros de solidariedade e cursos de qualificação, mas pela combatividade com que abraçou causas que pareciam perdidas.
Lutou contra o fechamento das lojas Mappin/Mesbla no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e obteve vitórias parciais, como o arrendamento dos principais pontos de venda do grupo. Ainda está brigando pelo aproveitamento dos antigos funcionários e contra a recente decisão da Justiça que decretou a falência do grupo e lacrou as lojas.
Partiu também para uma intervenção firme no Ministério da Justiça pela preservação dos empregos na Brahma e na Antarctica e de novo saiu ganhando: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou a preservação dos postos de trabalho nas empresas, até que o processo de fusão seja julgado.
O então ministro Renan Calheiros não escondeu que a decisão do Cade resultou da visita do deputado federal e criador da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros (PFL), que entregou relatório prevendo fechamento de 20% das fábricas e dos postos de trabalho.
A central obrigou ainda o BNDES, por meio de acampamentos em sua sede, no Rio de Janeiro, a emprestar dinheiro para a falida Metalúrgica Nardini, de São Paulo, que deve se transformar numa cooperativa de trabalhadores. A central colocará como garantia de pagamento do empréstimo um de seus dois prédios - o Palácio do Trabalhador ou a antiga sede do Sindicato dos Metalúrgicos, na rua do Carmo.

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