Força Sindical tenta negociar garantias para empregados da Ford
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 28 (AE) - A Força Sindical tenta amanhã (29) mais uma vez convencer o governo a incluir uma cláusula social na medida provisória que dará incentivos para a Ford instalar nova fábrica na Bahia. O deputado federal e ex-presidente da central, Luiz Antônio de Medeiros, conseguiu marcar audiência com o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, às 11 horas, em Brasília. A negociação com a Ford, que seria às 14 horas de amanhã, será remarcada para mais tarde ou adiada para sexta-feira.
O encontro foi marcado logo após os protestos que reuniram perto de dois mil empregados de empresas de autopeças de São Paulo e da Ford Ipiranga, que será fechada. Eles fizeram passeata de sete quilômetros entre a montadora e a sede do Ministério da Fazenda, na Avenida Prestes Maia, onde houve ato público. Dezenas de empregados com risco de perder o emprego, devido ao fechamento da fábrica, permanecem acampados na calçada em frente ao prédio.
Caso Carvalho - um ministro considerado forte e muito próximo a Fernando Henrique Cardoso - mantenha o discurso governamental de não se intrometer no caso do fechamento da Ford Ipiranga, em São Paulo, a luta da central sindical será outra. Todos os esforços deverão migrar para o Congresso Nacional, para que os deputados apresentem e aprovem emendas à MP prevendo garantia de emprego aos metalúrgicos de São Paulo, ABC e Taubaté - as três fábricas do Estado de São Paulo.
Os sindicalistas querem ainda que conste no texto da medida provisória a proibição de fechamento de fábricas até 2010
tempo em que a Ford estará recebendo isenção fiscal correspondente a R$ 180 milhões por ano, além do financiamento do BNDES no total de R$ 700 milhões para instalar-se na Bahia. "Temos esperança de que o encontro com o ministro Clóvis Carvalho dê algum resultado, mas estamos nos preparando também para atuar Congresso", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
Frente - Sindicalistas começaram a articular hoje apoios de deputados, já que temem um fracasso da negociação com a direção da empresa. O líder do PT na Câmara, José Genoíno, participou dos protestos e já se colocou à disposição dos sindicalistas para articular "uma frente" de deputados em defesa dos empregos. O casal Marta e Eduardo Suplicy também prometeu apoio. O secretário geral do Sindicato, Eleno José Bezerra, informou que vários políticos estão sendo procurados pela Força Sindical.
Ontem, o presidente da Ford, Antônio Maciel Neto, se recusou a discutir qualquer forma de garantia no emprego. Maciel tem um problema grande na mão. A empresa, com todos os incentivos públicos que receberá, vai criar apenas cerca de 2 mil empregos diretos na Bahia - os 5 mil alardeados incluem na conta empregos indiretos, em fornecedores locais. Contudo, a mesma Ford tem 1,5 mil empregados afastados, por falta de produção, das fábricas do ABC, Taubaté e São Paulo. E agora, com o fechamento da unidade de caminhões no Ipiranga, há ameaça de número expressivo de demissões, já que Maciel fala em possível aproveitamento de apenas uma parte do efetivo.


