São Paulo, 12 (AE) - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, vai apresentar na semana que vem ao presidente Fernando Henrique Cardoso um plano de criação de frentes de trabalho capaz de absorver, segundo o sindicalista, um milhão de desempregados no País, por seis meses. O projeto tem o custo de R$ 900 milhões e foi concebido pelo economista Paulo Rabelo, do Instituto Atlântico, a pedido da central.
O custo para o governo por trabalhador será de R$ 150 por mês, o que vai exigir uma medida provisória isentando de qualquer encargo social esse tipo de contratação de emergência. O empregado da frente de trabalho receberia um salário mínimo por mês, mais cesta básica e vale-transporte (benefícios concedidos possivelmente por meio de parcerias).
A frente de trabalho anunciada pelo governo de São Paulo ontem, para absorver 50 mil desempregados, prevê gasto de R$ 400 reais por trabalhador - um total de R$ 20 milhões ao mês.
Segundo Paulinho, o governador Mário Covas falhou ao não envolver as centrais sindicais na discussão do projeto. Ele disse que, sem a participação da sociedade, os R$ 20 milhões mensais do programa acabarão sendo pulverizados entre os municípios, sem nenhum controle da sociedade. "Na hora em que o dinheiro chegar nas mãos de prefeitos e vereadores, some", previu o sindicalista, lembrando da utilização política de vários programas sociais no País.
Além disso, para a Força Sindical, a edição de uma medida provisória criando contratos especiais para este momento pode baratear muito o projeto e até mesmo dobrar o número de desempregados beneficiados. Com o apoio das centrais, o Congresso Nacional seria muito mais sensível à criação de um contrato de trabalho de exceção.
As frentes de trabalho com recursos do governo federal, de acordo com o projeto da central, aproveitaria os desempregados para o trabalho de limpeza e manutenção das cidades. A administração e fiscalização do uso do dinheiro seria feita em parceria com o poder municipal e as centrais, que têm escritórios em todas as regiões metropolitanas do País. A audiência com o presidente já foi acertada para a semana que vem
mas não há ainda definição do dia.

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