São Paulo, 28 (AE) - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse hoje que pretende marcar audiência para discutir o caso Ford com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), porque acha que "ele manda mais do que o presidente Fernando Henrique" Cardoso. "Vale mais falar com o ACM", declarou ele, logo depois do protesto dos metalúrgicos da Ford Ipiranga em frente ao Ministério da Fazenda em São Paulo.
Segundo Pereira, a "guerra com o governo já está perdida". Por isso, as lideranças sindicais optaram por tentar negociar com o Congresso. O sindicalista também demonstrou não ter esperanças de que a medida provisória que regulamentará o novo regime automotivo inclua a garantia no emprego a tempo de esta regra valer para a Ford. "Temos que tentar a inclusão desta cláusula; pode não valer para a Ford, mas certamente servirá para outras empresas que quiserem se instalar no Nordeste."
O presidente da Força Sindical disse ainda que o deputado federal Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP) está tentando agendar para hoje ou amanhã (29) uma audiência com o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho. A idéia é falar com ele antes da edição da medida provisória do regime automotivo e antes ainda da reunião com o presidente da Ford, marcada para as 14 horas de amanhã.
Há expectativa de que a greve na Ford Ipiranga, iniciada Quinta-feira passada, termine a partir de um acordo com a direção da empresa ainda amanhã.
FHC - Pereira explicou que apoiou Fernando Henrique "porque ele tinha um programa para acabar com o desemprego", no segundo mandato. "Mas, ele agora está criando mais desemprego", destacou. Para o sindicalista, Fernando Henrique não está cumprindo o programa e parte disso se deve ao fato de haver outras pessoas na equipe de governo. "Não é só ele quem decide", disse.
O sindicalista evitou criticar a ausência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na manifestação que os trabalhadores da Ford Ipiranga fizeram hoje em São Paulo. Segundo explicou, é difícil para os dirigentes sindicais conseguiram a adesão de solidariedade a trabalhadores que não estão sendo prejudicados.
Os dirigentes da Força Sindical estavam contando com, pelo menos, 30 ônibus que trariam metalúrgicos do ABC, principalmente da fábrica de automóveis da Ford para o protesto de hoje. Somente um ônibus foi necessário e o único representante da direção da CUT que compareceu ao protesto foi o presidente estadual da entidade, José Lopez Feijoó.Por Marli Olmos ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca amplia informações, a partir do intertítulo.

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