Força de paz retorna de Angola
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quinta-feira, 16 de janeiro de 1997
Elisa Marilia Sucursal de Curitiba 
DivulgaçãoRecordaçãoDiante de uma das pontes construídas pela missão brasileira, soldado posa junto com o tenente Moraes e o comandante MarcosDesembarcaram na madrugada de ontem no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR), militares brasileiros que estavam em Angola (África) há seis meses em missão de paz da ONU. O restante da tropa começa a voltar no próximo dia 24, junto com o comandante, tenente-coronel Renato Marcos. A maioria faz parte da 5ª Região Militar (PR e SC).
Angola vive uma guerra civil há 25 anos e segundo o relato dos soldados brasileiros o País está na miséria. A população passa fome num país riquíssimo em ouro, diamante, petróleo e terras férteis. Mas está inteiramente minada, com uma média de 1,5 mina explosiva por habitante, relatou o sargento de engenharia Júlio César de Oliveira Braga. Ele ficou impressionado e caracterizou Angola como o país dos mutilados.
A situação provocou um êxodo rural de 2 milhões de habitantes, que foram se juntar a 1 milhão de pessoas que viviam na Capital, Luanda, não atingida pela guerrilha. Angola tem 10,5 milhões de habitantes e 15,7 milhões de minas enterradas em seu território.
Os angolanos falam português, o que aproximou os brasileiros da população local. Conseguíamos nos infiltrar pelo interior para reconstruir pontes, reformar estradas e atender a população mais carente com médicos e dentistas, contou o sargento Braga.
Trinta e cinco países foram convidados pela ONU para participar da operação. Os contigentes se revezam de seis em seis meses. Este é o terceiro batalhão brasileiro a ir para Angola. A missão consolida o aprendizado teórico, além de ser de grande valor no amadurecimento de cada um de nós, disse o sargento.
Os bolachaOs brasileiros ficaram conhecidos como bolacha por distribuí-las entre as crianças. Nas horas de folga jogavam futebol com os angolanos.
A missão brasileira realizou 5 mil atendimentos de saúde, construiu quatro pontes e abriu vários quilômetros de estradas. Uma das pontes, entre as cidades de Luena e Luanda, já havia sido destruída duas vezes.
Ontem em Curitiba, os militares foram submetidos a exames, e só depois vão para casa. Angola tem grande incidência de doenças. Gastei R$ 2 mil em telefone para falar com a minha mulher. E não sei se serei liberado a tempo para o aniversário da minha filha, que faz 7 anos amanhã, disse ontem sargento Braga, que mora em Palmas (TO).


