DARWIN, Austrália, 18 (AE-AP) - Em meio a notícias de nova chacina de timorenses na noite de sexta-feira (entre 100 e 200 mortos), 9 navios de guerra da força multinacional de paz, com 2 mil soldados australianos e 250 gurkhas britânicos, partiram hoje (18) para Timor Leste, onde deverão chegar nesta segunda-feira, informou o governo australiano.
O comando da operação em território timorense foi conferido pelo Conselho da Segurança da ONU ao general australiano Peter Corgrove, que é esperado amanhã em Dili, com 13 assessores, para uma reunião com comandantes indonésios.
Corgrove vai discutir com os oficiais indonésios detalhes sobre a ocupação de Timor Leste - devastado pelas milícias pró-Indonésia, com apoio de tropas indonésias, depois que a maioria da população optou, em plebiscito no dia 30, pela independência do território.
Timor Leste, ex-colônia portuguesa, foi invadido pelas Forças Armadas indonésias em 1975 e anexado em 1976 - sob condenação da ONU.
Uma ponderável parte dos 8 mil homens da força multinacional (incluídos 51 soldados brasileiros da Polícia do Exército) deverá desembarcar em Dili (capital do território) nesta segunda. As unidades internacionais chegarão em navios e aviões.
O grosso da tropa será constituído de australianos: 4,5 mil homens. A Grã-Bretanha mandará 600 soldados e um destróier, o Glasgow (equipado com helicópteros). Além disso, contribuirá com US$ 5 milhões para as operações em terra.
Os Estados Unidos enviarão 200 marines e colaborarão no transporte de tropas de outros países.
O Canadá mobilizou 600 homens, um navio de abastecimento e um avião de transporte Hercules. A França enviará 500 homens e uma fragata.
A Itália contribuirá com 600 homens, entre os quais 200 pára- quedistas, uma unidade naval anfíbia com instalações hospitalares e um número não especificado de helicópteros e aviões de transporte.
O Japão vai doar US$ 2 milhões para aplicação em ações humanitárias.
A Nova Zelândia pôs à disposição da ONU 800 soldados, 1 fragata e 2 aviões de transporte Hércules.
A Noruega vai mandar para a região cinco oficiais de seu Exército.
A Coréia do Sul prometeu 400 soldados e as Filipinas, 1,2 mil, e uma equipe de 240 médicos e engenheiros.
Cingapura enviará 250 soldados e duas embarcações de guerra.
A Suécia prometeu dez policiais civis, além de uma ajuda de US$ 1 milhão.
A Tailândia mobilizou mil homens, entre os quais médicos e engenheiros.
Fiji enviará 180 fuzileiros.
A Argentina mandará 50 soldados.
A Malásia informou que destacou 13 oficiais e 17 soldados.
China, Paquistão e Alemanha comprometeram-se a integrar a força, mas não revelaram números. Segundo funcionários da ONU, a força de paz vai encontrar terra arrasada em Timor Leste.
Na noite de sexta-feira e madrugada de hoje, entre 100 e 200 timorenses foram massacrados por milicianos contra a independência, informou o britânico Chris Patten, que exerce o cargo de chanceler da Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia). A UE destinou US$ 8 milhões para financiar a operação militar, destinada a conter a violência.
O porta-voz da Comissão Européia, Ricardi Levi, estimou em 200 mil o total de refugiados timorenses. A maior parte deles embrenhou-se nas montanhas que circundam as cidades de Ermera e Bobonaro. E está enfrentando fome e frio.
Em dois vôos, um avião Hércules australiano lançou de pára-quedas na região 20 toneladas de alimentos, na maior parte arroz, além de cobertores.
David Wimhurst, porta-voz da missão da ONU no Timor, disse que nas próximas horas serão lançadas, também de pára-quedas, barracas. Milhares de timorenses tiveram suas casas saqueadas e incendiadas pelas milícias pró-Jacarta, apoiadas pelo Exército indonésio.

mockup