Força de paz da Otan começa a entrar em Kosovo
PRISTINA, Iugoslávia, 12 (AE-AP) Tropas britânicas e francesas entraram hoje (12) ao amanhecer na província sérvia de Kosovo, abrindo caminho para o contingente de 50 mil militares da força internacional de paz, a Kfor, que deverá entrar na região à medida em que as forças de segurança sérvias forem se retirando.
A unidade britânica, constituída por uma coluna de blindados e de transporte de tropas acompanhada por helicópteros Chinook e Puma - entrou no território iugoslavo pelo posto fronteiriço de Blace, ao norte de Skopje, capital da Macedônia - onde estão concentradas as tropas da organização do tratado do Atlântico norte (Otan). Simultaneamente, a oeste do povoado de Dumanovce, 1,25 mil soldados fraceses divididos em duas colunas ingressavam em Kosovo. Uma delas ficou bloqueada pela manhã em uma região minada e teve de esperar a passagem de veículos especializados na desativação dos explosivos.
A primeira fase de deslocamento da Kfor deve durar três dias e assegurar a abertura das principais vias de comunicação e a instalação do comandante da força, o general britânico Mickael Jackson, em Pristina.
Temendo a chegada das tropas da Otan e a retaliação dos albaneses étnicos, milhares de sérvios de Kosovo começaram a deixar a província. Cerca de 3 mil deles chegaram hoje pela manhã à vizinha República de Montenegro (que, com a Sérvia, forma a Iugoslávia).
A grande maioria dos refugiados são crianças e idiosos. Antes da guerra, os sérvios constituíam cerca de 10% da população de 2 milhões de pessoas em Kosovo. A ONU teme que com o gradual retorno dos albaneses étnicos comece uma fuga dos 200 mil sérvios kosovares.
A surpreendente chegada dos russos à Pristina, na madrugada de hoje, provocou euforia entre a comunidade sérvia, mas não deteve o êxodo. O representante da Rússia na Otan, general Victor Zavarzin, que liderou a entrada das tropas russas em Pristina - um contingente de mais de 200 soldados - continua na cidade e aparentemente não vai se retirar de lá.
Pelo contrário, os militares receberão reforços, disseram "fontes" do Ministério da Defesa russo à agência Interfax. Hoje, um grupo de generais russos partiu para Skopje para discutir diretamente com os generais do Pentágono o papel das tropas russas que irão integrar a Kfor, informou o Ministério da Defesa russo.
Antes de deixar Moscou, segundo a agência Itenrfax, um membro da delegação russa indicou que o país pedirá que a zona noroeste da província seja confiada à Rússia.
Por sua vez, o comandante supremo das forças da Otan, general Wesley Clark, declarou hoje em Bruxelas que as tropas russas que estão na província sérvia deverão ser "integradas em um comando unificado e efetivo" na força internacional de paz.
Ele disse ter ficado "satisfeito" com a participação dos russos na Kfor e sua entrada em Pristina na madrugada de hoje, antes dos contingentes dos países membros da Otan. Clark insistiu em dizer que os conceitos "unificado" e "efetivo" são questões-chave na Kfor. A aliança atlântica tentou minimizar a iniciativa russa.
Os dirigentes russos tomaram a decisão de levar suas tropas para Kosovo depois de ter ficado claro que a Otan tinha a inteção de prolongar as discussões sobre o deslocamento das forças de paz na região e não iriam deixar nenhuma área sob o comando da Rússia.
A agência Interfax destacou hoje que o subsecretário americano de Estado, Strobe Talbott, "não aceita nenhum dos planos de envio de tropas russas para Kosovo proposto pela delegação do país".
No entanto, os enviados americanos mostraram-se hoje confiantes após uma reunião pela manhã com o chanceler russo, Igor Ivanov. Talbott havia deixado Moscou ontem, após conversações inconclusivas, mas voltou à capital russa após tomar conhecimento do deslocamento das tropas russas em Kosovo.
Aparentemente, não houve nenhum avanço sobre o ponto de atrito entre as duas partes: a exigência russa de controle de uma zona própria em Kosovo e sua recusa de aceitar que suas tropas atuem sob o comando da Otan.
O presidente russo, Boris Yeltsin, reuniu-se hoje com o chanceler Igor Ivanov e o ministro da Defesa, Igor Sergueyev, para avaliar a situação na Iugoslávia. Segundo fotnes não oficiais, tendo por base "fontes da administração presidencial", Yeltsin escutou os relatos de Ivanov e Sergueyev sobre a entrada das tropas em Pristina. Antes disso os dois ministros haviam se encontrado com o subsecretário americano de Estado Strobe Talbott.





