São Paulo, 25 (AE) - A situação do prefeito afastado Celso Pitta (PTN) pode piorar se ele for cassado pelos vereadores da Câmara Municipal de São Paulo ou perder seu cargo em definitivo por causa de uma das ações que transitam contra ele na Justiça. Uma onda de inquéritos policiais pode ser instaurada.
Hoje, o prefeito afastado está sendo investigado pelo Setor de Apuração de Crimes de Prefeito, da Procuradoria-Geral de Justiça, com base principalmente nos depoimentos prestados nas últimas semanas por Nicéa Pitta e seu filho, Victor. "A procuradoria não teve e não terá tempo suficiente para estudar as denúncias que supostamente envolvam Pitta", disse um promotor que pediu para não ser identificado.
Ao deixar definitivamente a cadeira do Palácio das Indústrias, Pitta passa a ser considerado "homem comum" e, automaticamente, começa a ser investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE) e por policiais civis que formam o força-tarefa e, juntos, têm hoje cerca de 120 inquéritos em andamento sobre corrupção na administração municipal.
Prisão - "Nós iríamos pegar do fiscal ao prefeito", afirmou o promotor José Carlos Blat, referindo-se ao fiscal da Administração Regional de Pinheiros Marco Antonio Zeppini, cuja prisão em flagrante por aceitar dinheiro para facilitar a liberação de documentos de uma academia de ginástica deu início a uma série de investigações sobre a administração municipal.
Inquérito - Em tese, segundo Blat, Pitta continuaria sendo investigado por corrupção ativa no inquérito aberto nesta semana pela procuradoria. Em seus depoimentos, Nicéa e Victor disseram que Pitta teria dado cerca de R$ 1 milhão ao presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), para que os vereadores não votassem a abertura de um processo de impeachment. Promotores e policiais acompanhariam o andamento desse inquérito. "Mas, além disso, Pitta poderia ser arrolado em outros inquéritos que o apontem como autor, co-autor, partícipe ou até mandante ", disse Blat.