Brasília, 11 (AE) - Na próxima segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso promoverá uma nova reunião para que os ministros que não estavam em Brasília na noite de quarta-feira ouçam as mesmas advertências. É até provável que a esse encontro compareça o ministro da Justiça, Renan Calheiros (que alegou mal-estar súbito para não ir ao encontro de anteontem), o que não parece mais suficiente para desfazer a impressão de que ele perdeu inteiramente as condições políticas para permanecer no cargo. As declarações feitas no início da noite de ontem pelo Palácio do Planalto, assegurando a permanência de Calheiros no cargo - atendendo pedido que o deputado Michel Temer fez ao Presidente da República - devem ser interpretadas como mera formalidade.
O ministro Calheiros começou a perder o cargo não somente porque seus correlegionários desafiaram a autoridade presidencial, mas sobretudo por ter colidido politicamente com o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Entre o ex-ministro e agora comandante do Exército, general Gluber Vieira, que se solidarizou com o general Cardoso, e o titular da Justiça, o presidente "obviamente ficou com a posição do Exército", observou uma alta fonte oficial. O destino dos outros dois ministros do PMDB, Eliseu Padilha e Ovídio de Angelis, da Secretaria de Políticas Regionais, ainda não foi decidido e não se descarta a hipótese de que permaneçam no governo. Mas isso dependerá do rearranjo nas posições de cada um dos parceiros da base parlamentar de Fernando Henrique, o que inevitavelmente ocorrerá com a reforma parcial do ministério que ele promoverá nas próximas semanas.
Segundo fontes bem informadas de Brasília, ninguém deve esperar uma reforma ministerial clássica, daquelas que alteram completamente a fisionomia do governo. Mas é certo que "na mexida pontual de peças" que Fernando Henrique fará estarão incluídos quadros do PMDB.

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