FonteCindam não aceita recuo do BNP
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Cleide Sanchez Rodriguez 
São Paulo, 20 (AE) - O Banco FonteCindam estuda a possibilidade de adotar medidas judiciais contra a decisão do Banque Nationale de Paris (BNP) de suspender as negociações de compra de algumas atividades da insitutição brasileira. Em nota divulgada hoje à imprensa, a diretoria do banco se diz "perplexa" diante da notícia divulgada pelo BNP, informando o rompimento das negociações entre as duas instituições. O comunicado foi feito no início da noite de segunda-feira, também por meio de nota à imprensa.
O BNP, um dos 20 maiores grupos bancários do mundo, assinou, em meados de março, protocolo de intenções com o FonteCindam para adquirir as áreas de administração de recursos de terceiros
de corporate finance responsável pelas operações com as grandes empresas e a corretora FonteCindam. O banco brasileiro considera inaceitável a tentativa do banco francês de desfazer um negócio já concluído, "especialmente se baseada no início das investigações que, por si só, não têm condão de definir a correção dos negócios realizados por esta instituição, atribuição do Judiciário".
Embora a nota afirme que o negócio já estava concluído, fonte da empresa garante que faltavam as assinaturas do contrato. De fato, depois de fechado um acordo de compra e venda de instituições financeiras, é praxe o intervalo de dois a três meses para que as autoridades aprovem a operação. Nesse caso, seriam o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) - que já haviam dado o sinal verde da operação. Era necessário, também, a aprovação das autoridades francesas, mas o veto para compra das atividades do banco teria vindo da matriz do BNP, na França, que não queria envolvimento com instituições alvo de investigações por operar de forma suspeita.
A situação do FonteCindam complicou-se sem o BNP. Na lista dos dez maiores bancos de investimentos do país, com participação ativa na área de atacado - em operações de privatização, fusões e aquisições -, a administração de recursos é um dos principais negócios do FonteCindam. Mas sua credibilidade ficou bastante arranhada depois que passou a ser investigado pela CPI, por receber ajuda do BC, observou o consultor Erivelto Rodrigues, sócio da Austin Asis. "O acordo com o BNP era fundamental para resgatá-la e continuar captando recursos para a área de asset management", disse, referindo-se à atividade de administração da carteira de terceiros, que era uma das áreas de interesse do BNP.
O patrimônio líquido do banco caiu de R$ 86,7 milhões para R$ 61 milhões, em janeiro, para cobrir as perdas com a desvalorização do real.


