Rio, 23 (AE) - O Banco FonteCindam, que teria sido beneficiado com informações privilegiadas fornecidas pelo Banco Central (BC), desativou hoje as atividades da corretora do grupo por causa do prejuízo financeiro com a desvalorização do real, segundo informou o advogado criminalista da emprersa, Técio Lins e Silva.
O banco teve um prejuízo de cerca de R$ 25 milhões com a mudança da política cambial. O capital líquido, que antes era de R$ 85 milhões, está em cerca de R$ 60 milhões.
"O banco não está com problema financeiro, mas decidiu adotar uma estratégia para se resguardar", afirmou. Silva, contratado para defender o banco da acusação de envolvimento no esquema de vazamento de informações privilegiadas do BC, disse que ainda está avaliando se é o caso de acionar o Ministério Público (MP) e a Justiça Federal para questionar os procedimentos adotados no episódio de busca e apreensão de documentos na sede da instituição.
Segundo Silva, a imagem do banco foi afetada por causa da acusação de envolvimento na operação de ajuda do BC. "Isso abalou o banco", admitiu. "Mas, objetivamente, o banco não está envolvido em nenhuma irregularidade." O FonteCindam, cuja venda havia sido acertada para o banco francês BNP, foi surpreendido com a notícia de que o negócio havia sido desfeito.
Depois que o FonteCindam foi citado no episódio de socorro do BC, o banco francês cancelou o processo de compra de parte da instituição.
A direção do FonteCindam estuda uma ação de perdas e danos para buscar o ressarcimento financeiro pelo BNP. Segundo informou hoje o advogado Sérgio Eskinazi, está sendo feito um trabalho para se reunir documentos que sejam "fortes o suficiente" com o objetivo de comprovar que a fusão com a instituição francesa havia sido efetivada. "Se não tivermos como provar que o negócio já havia sido formalizado e que foi desfeito pelo BNP, nós não vamos entrar com o processo", afirmou Eskinazi.

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