Rio, 13 (AE) - O presidente do Banco Fonte-Cindam, Luiz Antônio Gonçalves, depôs hoje na Polícia Federal (PF), no inquérito instaurado para apurar as denúncias de vazamento de informações sigilosas do Banco Central (BC). O Fonte-Cindam é suspeito de se beneficiar destas informações, que seriam repassadas por um alto funcionário do BC a outros três bancos, inclusive o Marka, em troca de suborno.
Antes de ir à PF, onde chegou às 16h20, Gonçalves negou qualquer envolvimento em algum esquema de informação privilegiada no BC ou contato com o economista Rubens Novaes - suspeito de ser a ligação entre o funcionário do órgão e as instituições beneficiadas pelo esquema. Até o início da noite, o presidente do Fonte-Cindam não havia terminado de dar esclarecimentos ao delegado Deuler Rocha, encarregado de fazer o interrogatório com base em perguntas formuladas pela PF de Brasília (DF), onde o inquérito foi instaurado.
O delegado Eduardo da Matta, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais da PF, informou hoje que o proprietário do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, está na Itália, onde nasceu. Cacciola viajou para o Exterior na quinta-feira, mas avisou, por seu advogado, que pretende retornar ao País para dar esclarecimentos sobre as denúncias, que classificou de "fantasiosas". O delegado da PF informou que vai tentar entrar em contato com Novaes pelo telefone, para convidá-lo a dar esclarecimentos.
Gonçalves assumiu a presidência do Fonte-Cindam em 1993 e permaneceu no cargo após a fusão da instituição com o Banco Nationale de Paris (BNP), há quase dois meses. Ele é um dos sócios do banco, com Fernando César de Carvalho, fundador e ex-presidente do Banco Fonte, que originou o Fonte-Cindam, e Roberto Steinfeld, diretor executivo da instituição, vindo do antigo Banco Cindam.
Também são sócios do banco o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eduardo Modiano, e o ex-diretor administrativo do Banco Fonte, Sérgio Leal Campos. A fusão do BNP e Fonte-Cindam ocorreu logo depois da alta do dólar, mas as conversações entre as duas instituições já haviam começado antes, há cerca de um ano antes de a união ser realizada.
Explicações do BC - O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro espera receber até quinta-feira (15) explicações do Banco Central (BC) sobre a operação de venda de dólares para os bancos Marka e Fonte-Cindam, após as perdas das instituições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), por causa da desvalorização do real. O pedido da Procuradoria da República, feito na quinta-feira, inclui a identificação dos responsáveis pela operação e os motivos que levaram o BC a vender dólar ao Marka na cotação de R$ 1,27 e ao Fonte-Cindam a R$ 1,32, no mercado futuro.
O presidente da Associação de Cotistas Lesados do Banco Marka, Luiz Eduardo Fernandes, alertou hoje que, sem estas explicações, "não há nada de concreto" contra Cacciola. Segundo Fernandes, o Banco Central precisa ainda precisa explicar por que, no caso do Marka, os cotistas do fundo não tiveram os mesmos benefícios. "O BC violou a Constituição, porque quebrou o princípio de autonomia", criticou.

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