Londrina - Desde a promulgação da Lei nº 6.965, em 9 de dezembro de 1981, que regulamentou e reconheceu a fonoaudiologia no Brasil, comemora-se nesta data o Dia do Fonoaudiólogo. Em 33 anos, os profissionais conquistaram importantes avanços, mas continuam na luta por maior valorização da carreira. A profissão vive duas realidades distintas: um mercado de trabalho em expansão no atendimento privado e uma atuação incipiente na rede pública.
De acordo com o Conselho Federal de Fonoaudiologia, atualmente existem 38,7 mil fonoaudiólogos em atividade no Brasil. Do total, 5,6 mil possuem algum título de especialização, em áreas como audiologia, disfagia, fonoaudiologia educacional, linguagem, motricidade orofacial, voz ou saúde coletiva. Enquanto uma consulta particular não sai por menos de R$ 80,00, o repasse do Sistema Único de Saúde (SUS) por consulta é de pouco mais de R$ 2, segundo a delegada do Conselho Regional de Fonoaudiologia em Londrina, Roseane Beleze. Ela aponta que o valor inviabiliza o atendimento nos postos de saúde.
A categoria não dispõe de um número ideal de fonoaudiólogos por habitantes no Brasil, embora leve em consideração estudos que preveem a relação de um profissional a cada 10 mil habitantes. Pela proporção, os 38,7 mil fonoaudiólogos superam em quase o dobro os 20 mil que seriam necessários para atender a população brasileira, de pouco mais de 200 milhões de habitantes. O problema é que, a exemplo dos médicos, há concentração de profissionais nos grandes centros.
São Paulo é o estado com a maior quantidade de fonoaudiólogos, com quase 12 mil. O Paraná aparece na quinta posição, com 2.056 profissionais habilitados, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro (5.944), Minas Gerais (4.098) e Rio Grande do Sul (2.102). Já o Acre é o estado brasileiro com a menor quantidade de profissionais de fonoaudiologia: são 45 no total, seis a menos que Roraima.
De acordo com Roseane, Londrina tem 176 fonoaudiólogos na ativa. No entanto, ela cita um dado alarmante: apenas três atendem a rede municipal em Londrina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O atendimento se restringe a crianças de zero a seis anos. Todas as outras faixas etárias estão descobertas. "É muito pouco. Eles não conseguem desenvolver o trabalho ideal, então acabam fazendo apenas o atendimento básico e a prevenção com este público de crianças em faixa de desenvolvimento", lamenta.
Francisco Pletsch, presidente da 3ª Região do Conselho Regional de Fonoaudiologia, que abrange Paraná e Santa Catarina, revela que muitos dos pequenos municípios do Estado ainda não têm nenhum profissional na rede pública. "É comum um mesmo profissional se desdobrar para atender entidades em várias cidades, em uma rotina quase que itinerante. Mas, com o tempo, esta distorção tem sido corrigida", relata.
Roseane acredita que falta conscientização por parte dos governantes por não priorizarem a fonoaudiologia na lista de políticas públicas. "É preciso se pensar a saúde como um todo. É por meio da comunicação que o paciente se expressa com o médico, para contar o que está sentindo. Se ele não sabe se expressar, o tratamento fica comprometido", argumenta.
A saída, segundo a delegada, é a inclusão dos fonoaudiólogos nas equipes dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf). Salvo algumas exceções, como Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a atuação destes profissionais nas equipes do Nasf no Estado é bem tímida. "Aqui em Londrina, recebemos recentemente o apoio dos vereadores que, ao tomarem ciência do problema, prometeram buscar soluções", conta.
Pletsch destaca como "importantíssima" a conquista do Teste da Linguinha. A lei, assinada pela presidente Dilma Rousseff em julho e que entra em vigor em janeiro de 2015, obriga todas as maternidades e hospitais do País a realizar o teste em bebês recém-nascidos nas primeiras 24 horas de vida. "É um benefício grande para a sociedade e para o fonoaudiólogo. Por meio desse exame é possível detectar problemas de fala, como a língua presa", explica.

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