Curitiba - O governo federal libera no mês que vem R$ 500 mil do Programa Fome Zero para investimentos no assentamento que será instalado em 25 mil hectares de terra comprados da Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu, oeste do Paraná. Os recursos serão usados para implantação da primeira fase do projeto, que prevê o plantio de 5,8 mil hectares de culturas de verão como soja orgânica, erva-mate e fitoterápicos, palmito, além do desenvolvimento da apicultura.
Os assentados também irão explorar as áreas reflorestadas com manejo sustentável, combinando a atividade com a pecuária leiteira e de corte. ''Essa primeira fase terá que estar em andamento num prazo máximo de um ano. A intenção é fazer com que o assentamento possa ser auto-sustentável'', afirmou Antonio Maciel Botelho Machado, assessor da diretoria executiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Brasília.
Os recursos do programa Fome Zero serão usados ainda para a capacitação de assentados, no desenvolvimento de técnicas de agroecologia e agroflorestas. Atualmente, 30 acampados fazem o curso de um ano e meio na Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''Queríamos algo nesse sentido. Acho que o projeto vai a contento, na medida em que os assentados vão contar com fiscalização constante. Mais uma garantia de um assentamento modelo para o Brasil'', apontou Elemar do Nascimento, da Coordenação Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
De acordo com o MST, vivem no acampamento cerca de 2,2 mil famílias. No entanto, apenas 1,5 mil serão assentadas na primeira fase. O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, disse que as famílias assentadas terão que ser selecionadas a partir de critérios técnicos como carência, número de filhos e atividade de trabalho voltada à agricultura. ''Não vamos aceitar qualquer tipo de imposição por parte do MST ou qualquer outro órgão. O Incra tem uma ordem que precisa ser respeitada. Vamos selecionar as famílias para esse assentamento. As demais terão que buscar outros lugares para morar'', salientou Lacerda.

mockup