Fome Zero atenderá índios e assentados
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal vai comprar o excesso de produção de agricultores familiares e trabalhadores rurais assentados para incentivar os pequenos produtores e refazer os estoques que atualmente estão zerados. O processo de cadastramento e compra da produção deverá começar na semana que vem. O anúncio foi feito ontem pelo ministro extraordiário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Francisco Graziano da Silva, durante a solenidade de lançamento do programa Fome Zero no Paraná, ontem, em Curitiba.
O Conselho Nacional de Abastecimento (Conab) será responsável pela escolha dos municípios e pela compra dos produtos. Serão priorizadas as localidades com os piores índices de desenvolvimento humano (IDH). No Paraná, serão comprados milho e feijão. O limite máximo para compra de cada produtor é de R$ 2,5 mil. ''Temos que refazer nossos estoques que estão zerados. Teremos uma situação breve de emergência em setembro e outubro que é a seca no Nordeste e não podemos estar desguarnecidos'', afirmou o ministro.
A intenção do governo federal é priorizar os produtores que estiverem organizados em cooperativas. O montante total disponibilizado para a compra da produção é de R$ 400 milhões. No Brasil existem atualmente mais de 3 milhões de agricultores familiares. No primeiro momento, entre 10% a 20% deles serão beneficiados com o programa. Além de refazer estoques, os produtos arrecadados serão distribuídos nos municípios pobres para o programa Fome Zero. Além do feijão e do milho, o governo federal pretende comprar carne e leite. No entanto, esta etapa do programa deverá ficar para setembro.
Outro setor que será beneficiado pelo programa Fome Zero no Paraná será a comunidade indígena. Francisco Graziano pretende receber nos próximos dias do governo do Estado um estudo detalhado das comunidades existentes no Paraná. ''Elas serão atendidas imediatamente'', sinalizou, sem precisar ainda o montante de recursos que será destinado para o setor. Atualmente, cerca de 15 mil índios vivem no Paraná. ''Assusta ver um estado da grandeza do Paraná ter problemas tão sérios de exclusão social'', afirmou.
O programa Fome Zero no Paraná deverá atingir prioritariamente 1,1 milhão de pessoas que ganham menos que 25% do salário mínimo, que é de R$ 240,00, em 72 municípios com IDH abaixo da média nacional.


