Rio - Apesar de o mundo não ter atingido as metas de redução da fome estabelecidas há cinco anos pela Cúpula Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo brasileiro apresentará um relatório otimista na próxima reunião da cúpula, que acontece entre os dias 10 e 13 de junho em Roma.
Os representantes brasileiros vão defender que, apesar de o Brasil ainda registrar ‘‘níveis inaceitáveis’’ de miséria, o País conseguiu reduzir significativamente o número de pobres durante a década de 90 e avançar na solução do problema da fome.
‘‘É verdade que ninguém pode dizer que conseguimos acabar com a pobreza. Os números ainda nos envergonham, mas é inegável o avanço na década’’, disse o ministro do Itamaraty e responsável pelo documento brasileiro, Hildebrando Tadeu Valadares, durante reunião preparatória para a cúpula, ontem, no Rio.
Valadares apresentou os números de um relatório - preparado pelo Ministério das Relações Exteriores em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - que será apresentado em Roma. O documento mostra que a proporção de pobres caiu de 44%, em 1990, para 32%, em 2000. Revela ainda que, em uma lista de países latino-americanos, o Brasil foi o que apresentou a maior queda na pobreza. Mesmo assim, o estudo calcula que, em 2000, 54 milhões de brasileiros eram pobres e 22 milhões, miseráveis.
Apesar disso, o governo vai argumentar que há indícios de maior queda da miséria no País no futuro próximo, ao contrário do que ocorre no resto do mundo. Essa seria uma tendência clara, segundo Valadares, por causa da melhora de vários indicadores sociais no País, como queda do analfabetismo e da mortalidade infantil.
A última Cúpula Mundial de Alimentação, ocorrida em 1996 na sede da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Roma, fixou uma meta de reduzir a fome no planeta pela metade até 2015 - hoje cerca de 800 milhões são considerados cronicamente desnutridos.
Para isso, seria preciso que, por ano, 22 milhões deixassem de passar fome, mas nos últimos anos a queda anual no número de famintos é de apenas 6 milhões.

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