Londres, 14 (AE-AP) - O mundo em desenvolvimento está trabalhando melhor no combate à fome, mas ações urgentes são necessárias para se alcançar o objetivo de reduzir o número de pessoas subnutridas para 400 milhões em 2015, informou hoje um relatório das Nações Unidas.
O número de pessoas sofrendo de fome crônica caiu para 790 milhões em 1995-97, uma queda de 40 milhões desde 1990-92, disse a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.
Mas a queda deveria aumentar 2 vezes e meia a cada ano para que o compromisso de diminuir pela metade a fome no mundo, estabelecido por 186 nações no Cúpula Mundial de Alimentação em 1996, fosse cumprido.
"A não ser que alguma coisa extraordinária aconteça, nós não conseguiremos nos aproximar muito deste alvo", disse Hartwig de Haen, diretor-assistente do departamento econômico e social do Organização.
Tão preocupante quanto este fato, segundo ele, é que a queda no número de pessoas subnutridas deveu-se a apenas 37 países em desenvolvimento, como o Chade na áfrica Central e Honduras, na América Central.
No resto do mundo em desenvolvimento, o número de pessoas sem o suficiente para comer cresceu quase 60 milhões, afirmou.
De Haen disse que os países que são capazes de lidar com os problemas da fome tendem a estar em paz com seus vizinhos e gozando de crescimento econômico. Para ele é essencial que as nações estimulem o crescimento nas áreas rurais, onde vive a maior parte dos pobres. O diretor-assistente acredita que os países em desenvolvimento também devam agir no combate à pobreza
melhorando a educação, sistema de saúde e condições sanitárias.
O relatório forneceu o exemplo de Honduras, onde os subnutridos beneficiaram-se do crescimento econômico, da duplicação da produção de milho e de um programa de auxílio aos pobres.
Isso contrasta com nações como Cuba ou Afeganistão, que viram a proporção de famintos subir significativamente desde 1990-92.
Cuba foi prejudicada pela perda do maior parceiro econômico depois da desintegração da União Soviética, enquanto os conflitos internos no Afeganistão jogaram mais pessoas na pobreza e, consequentemente, na fome.
O relatório também mostra que as nações asiáticas do Oceano Pacífico respondem por dois terços - 526 milhões - dos subnutridos.
As nações do Oeste Africano fizeram esforços significaticos para reduzir o número de pessoas sofrendo de fome
mas a áfrica Central e o Leste do continente continuam com níveis muito altos.
O relatório das Nações Unidas também analisa a fome no mundo desenvolvido. Mostrou que 34 milhões de pessoas estão subnutridas nestas nações - 26 milhões no Leste Europeu e na antiga União Soviética, e 8 milhões nas nações industrializadas.
No geral, entretanto, o mundo desenvolvido tem tido números bastante baixos de pessoas sem ter o que comer, disse da Haen. Ele conclamou as nações desenvolvidas a prover assistência técnica e financeira para os países em desenvolvimento.
Funcionários da ONU dizem que continuam otimistas com a possibilidade do objetivo traçado na Cúpula Mundial da Alimentação ser atingido se as nações tomarem ações urgentes. "Essa possibilidade é realista no sentido de que é praticável"
de Haen disse. "O mundo tem fontes o suficiente para alimentar a todos".

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