Washington, 07 (AE-DOW JONES) - A economia norte-americana corre o risco de acelerar ainda mais seu ritmo de crescimento nos próximos 18 meses, com ameaça de mais inflação, a não ser que os preços das ações se estabilizem. Esse é um dos diagnósticos dos participantes da reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) realizada em 24 de fevereiro, de acordo com as minutas divulgadas há pouco pelo Fed.
Os integrantes do Fomc acreditam que será possível reduzir o ritmo de crescimento a níveis menos preocupantes. Mas isso "dependerá muito de condições financeiras menos acomodativas do que aquelas que se desenvolveram nos últimos meses jogarem uma água fria na demanda doméstica", dizem as minutas, especificando que essas condições seriam "taxas de juro de longo prazo mais altas e uma estabilização dos preços das ações".
Segundo a Dow Jones, os participantes não mostraram muito otimismo quant o a essa possibilidade, ao notar que há uma "incerteza substancial" na perspectiva dos preços das ações. "Dados o vigor persistente da demanda doméstica e a melhoria das economias estrangeiras, muitos membros viram os riscos dessa perspectiva inclinar-se para cima, especialmente se as taxas de juro de curto prazo ficassem nos níveis atuais", dizem as minutas da reunião, na qual o Fomc decidiu elevar a taxa dos Fed Funds em 25 pontos-base, pela segunda vez em 1999.
O texto destaca a preocupação crescente do Fed com a influência dos preços das ações sobre a economia em geral e sugere que a política de taxas de juro no próximo ano poderá depender do desempenho do mercado de ações. As minutas também indicam que o Fed não está convencido de que a economia norte-americana está numa "nova era" de ganhs constantes de produtividade, que permitiriam uma combinação de crescimento rápido com infla ção baixa pelo futuro previsível.
O único integrante do Fomc a sustentar essa posição foi Robert McTeer, presidente do Federal Reserve Bank de Dallas; ele divergiu de todos os outros membros do comitê e votou contra elevar as taxas de juro na reunião de agosto. McTeer também havia votado contra o aperto decidido na reunião anterior, em 30 de junho. Segundo as minutas, "os membros comentaram que não há evidências persuasivas de que a inflação dos preços esteja aumentando ou que as expectativas de inflação estejam crescendo. Apesar disso, eles expressaram preocupação com os riscos de uma aceleração, dentro das circunstâncias econômicas previsíveis". O texto também fala em "evidências divergentes sobre se a aceleração da produtividade persistia, mas as tendências favoráveis anteriores nos preços das importações já estavam se dissipando, alimentando o risco de inflação trazido pela possib ilidade de mais apertos no mercado de mão-de-obra".
O Fomc também discutiu a possibilidade de elevar as taxas de juro na reunião seguinte, caso houvesse evidências de que os salários estão subindo "significativamente mais do que a produtividade". O "maior risco" de inflação, dizem as minutas
está na possibilidade de mais "aperto" no mercado de mão-de-obra. Sobre a decisão do Fed de passar a anunciar imediatamente sua "diretriz política" para o futuro (o viés das taxas de juro), adotada desde maio, os participantes da reunião de agosto mostraram-se decepcionados. O objetivo do anúncio imediato era "encorajar reações estabilizadoras nos mercados financeiros e, talvez,reduzir as chances de reações exageradas", o que acabou não acontecendo.
Segundo as minutas, o presidente do Fed, Alan Greenspan, observou que o anúncio imediato do viés "foi sujeito a diferentes interpretações, e a decisão do Comitê, de fazer anúncios imediatos, tornou desejável esclarecer seu significado". Greenspan estabeleceu um subcomitê para estudar melhorias nos anúncios de diretrizes políticas do Fed.

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