Folia macabra nas ruas de Curitiba
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - Mais de 2 mil "mortos-vivos" enfrentaram ontem a chuva para participar da oitava edição da já tradicional Zombie Walk, marcha que acontece todos os anos durante o Carnaval da capital paranaense. Com caracterizações à base de maquiagens pretas e sangue de catchup, os amantes do gênero de terror se encontraram na Boca Maldita, por volta de meio-dia, e seguiram até as praças 19 de Dezembro e Eufrásio Correa, a última palco dos shows do Curitiba Rock Carnival.
No trajeto, guarda-chuvas dividiam espaço com fantasmas, vampiros, demônios e outros "seres estranhos". Em 2015, o evento teve algumas novidades, como a escolha da Miss Zombie Curitiba e apresentações artísticas. A mobilização começou em outubro de 2003, em Toronto, no Canadá, e é inspirada em filmes com personagens de zumbis, como os do diretor George Romero - "Noite dos Mortos Vivos" (1968) e "Despertar dos Mortos" (1978).
De acordo com Ales de Lara, uma das organizadoras e responsável pela make do festival, a ideia é se apresentar como uma alternativa para quem não gosta do Carnaval tradicional, de blocos e escolas de samba. "No ano passado, tivemos um público de mais de 20 mil pessoas. Desta vez o tempo atrapalhou um pouco", contou. Ao lado dela estava o norte-americano Daniel Bakken, de São Francisco, na Califórnia, que se mudou para a cidade há poucos dias. "É a terceira vez que venho para o Brasil e a terceira vez que participo. Está tudo ótimo", disse.
Transexual, a professora Louise M., de 38 anos, que dá aulas de inglês na rede pública, estava vestida de "viúva-morta". "É um evento bem bacana, que está crescendo cada vez mais. Não consegui viajar, mas estou me divertindo. O único ponto negativo foi mesmo a chuva", opinou. O estudante Vinícius Gomes Pereira, de 17 anos, que pretende cursar Zootecnia, aproveitou a Zombie Walk para fazer amigos. Chegou sozinho, vindo do bairro Sítio Cercado, e rapidamente encontrou um grupo de jovens que se divertiam com as fantasias uns dos outros e pediam para ser entrevistados pelas equipes de rádio e de televisão.
Perto deles, debaixo de uma marquise, as amigas Camile Gonçalves, de 17 anos, e Ketlyn Golubiewski, de 18, esperavam a chegada de outros colegas para marchar rumo à Praça 19 de Dezembro. "Não gosto muito de praia e por isso preferi ficar por aqui", relatou Camile, cuja fantasia foi inspirada na personagem Alice. "Já é a segunda vez que a gente vem. Achei muito interessante", afirmou Ketlyn.
Ainda no centro da capital, no estacionamento da Câmara de Vereadores, os dois últimos dias foram de rock. Catorze bandas, como a norte-americana Man or Astro-man?, a holandesa The Anomalys e a curitibana Relespública, subiram ao palco, com o objetivo de mostrar que gêneros não tradicionais também podem fazer sucesso no Carnaval. A entrada era gratuita e, até o fechamento desta edição, não foram registrados incidentes de maior gravidade.


