Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Maringá é uma das cidades que mais produz lixo por habitante no mundo. Enquanto a média global, segundo o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, é de 500 gramas por pessoa ao dia, a cidade produz quase o dobro, cerca de 900 gramas, o que dá um total de 270 toneladas diárias. De acordo com Cardoso, o lixo está aumentando gradativamente nos últimos cinco anos, com o crescimento da região. ‘‘Registramos uma média de 60% a mais de produção neste período. É uma quantidade exagerada’’, afirma.
Segundo Cardoso, a população está consumindo cada vez mais, provocando o crescimento da produção de lixo doméstico. Ele afirma, porém, que o principal motivo do aumento do lixo é a grande quantidade de árvores nas ruas, que sujam as calçadas, principalmente nesta época do ano quando a queda de folhas é mais acentuada.
Na casa onde trabalha a diarista Irani Batista, as folhas, varridas e ensacadas todas as manhãs, são responsáveis por mais de 70% do lixo produzido pela família. ‘‘Só hoje já enchi cinco sacos grandes e a calçada ainda está suja. Tem dia que chego a usar oito sacos plásticos e ainda não é o bastante’’, afirma Irani, que trabalha na Zona 2, bairro onde operários da prefeitura fazem varrição duas vezes por semana.
‘‘O trabalho dos garis não é suficiente. Mesmo nos dias em que eles passam, eu tiro mais ou menos uns quatro sacos de folhas da calçada’’. Ela acredita que este é um dos piores trabalhos na casa. ‘‘A cola que a árvore solta deixa a vassoura muito pesada e eu destesto fazer isso’’, reclama.
O que para uns é aborrecimento, para outros a limpeza diária das folhas virou motivo para reunir amigos e conversar. Os vizinhos Florindo Sanches, 67 anos, e Antônio Martos, 66 anos, se encontram, há 4 anos, todas as manhãs para ‘‘falar da vida’’ e têm como pretexto varrer as calçadas.
‘‘É bom para manter o físico em forma’’, brinca Sanches. Os dois reclamam da falta de atenção da prefeitura com o bairro. ‘‘Como a Zona 02 é um local de elite, eles deveriam passar todos os dias para recolher as folhas’’, acredita Martos.
Os vizinhos são conscientes e não deixam folhas e galhos amontoados na calçada e nem na rua. Eles aproveitam o material para adubar a horta nos quintais. ‘‘O adubo é bom, colocamos em todas as verduras e ainda em um pomarzinho do quintal’’, afirma Sanches. Ele critica os moradores que varrem as calçadas e deixam as folhas espalhadas. ‘‘Quando vem a chuva, arrasta tudo e acaba entupindo os bueiros’’.
Além dos entulhos espalhados nas ruas, há ainda o problema dos moradores que queimam as folhas, o que é perigoso e condenado pela secretaria do Meio Ambiente. A diarista Luzia Cardoso Pereira mora no Parque das Palmeiras, local visitado apenas uma vez por mês pelos garis municipais. Sem poder esperar tanto tempo, ela varre diariamente a calçada de casa e depois coloca fogo nas folhas e entulhos. ‘‘Não tenho como amontoar e nem onde colocar tanta folha. O maior absurdo é a distinção que a prefeitura faz entre os bairros. Por que não é tudo igual?’, pergunta. Enquanto a coleta e varrição não melhorarem no bairro, Luzia afirma que vai continuar queimando os galhos e folhas.

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