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Londrina

Geral

m de leitura Atualizado em 23/05/2022, 09:34

Folha produz série de podcasts sobre crimes que abalaram Londrina

Audiodocumentário em seis programas marca participação do jornal em programa financiado pela Meta, dona do Facebook

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de maio de 2022

Marcos Martins/Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: Rafael Costa Pereira
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As histórias de cinco mulheres vítimas de crimes emblemáticos, ocorridos em Londrina entre os anos de 1989 e 2019, estão na série “Banco dos Réus”, produzida pela equipe da Folha de Londrina e disponível no formato de podcast, semanalmente, a partir do próximo dia 26 de maio. O trabalho integra o programa “Acelerando a Transformação Di­gital”, desenvolvido pela Associa­ção Nacional de Jornais (ANJ) e Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), em parceria com o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, sigla em in­glês) e o Meta Journalism Pro­ject — Meta é a empresa dona do Fa­cebook. A Folha foi um dos veículos de comunicação brasileiros selecionados para a participação, que conta com apoio financeiro da Meta, além de mentoria do jornalista Luís Fernando Bovo, diretor de Conteúdo e Operações do Estadão Blue Studio.

Imagem ilustrativa da imagem Folha produz série de podcasts sobre crimes que abalaram Londrina Imagem ilustrativa da imagem Folha produz série de podcasts sobre crimes que abalaram Londrina
|  Foto: Rafael Costa Pereira
 

O programa foi iniciado no final de 2021, quando profissionais de diversas redações de jornalismo do país foram convidados para cursos e palestras sobre transformação digital. Na sequência, os participantes puderam inscrever projetos que impulsionassem avanços tecnológicos em seus veículos. Foi aí que uma ideia da jornalista Patrícia Maria Alves, editora da Folha, saiu do papel. “Em 2019, houve a proposta de se fazer uma série sobre crimes ocorridos na cidade. Começamos com as pesquisas e o projeto foi formatado, mas aí veio a pandemia e tudo ficou suspenso. Quando o programa foi aberto para inscrição de iniciativas digitais, decidimos retomar a ideia em formato de podcast”, explica Alves. A proposta foi uma das 25 selecionadas em todo o país e recebeu aporte de US$ 15 mil para o desenvolvimento. A criação de um estúdio multimídia na redação, com novos equipamentos, também integrou o plano. A Folha, que já trabalha com a criação de podcasts desde 2016, agora vai ter um espaço exclusivo para a produção dos conteúdos em áudio. “Isso traz um salto de qualidade para os materiais e abre espaço para a criação de novos produtos de informação para o nosso público, além de ampliá-lo”, aponta a jornalista, que é líder do projeto e editora-gerente de produtos digitais.

A equipe conta ainda com a participação de Fernanda Circhia, Celso Felizardo, Juliana Gonçalves, Lúcio Flávio Moura, Vitor Ogawa, Ana Julia Gabas, Rafael Costa, Thiago Franzim, Ana Carla Dias, Pedro Rosa e da chefe de redação da Folha, Adriana De Cunto, que comemora o sucesso do projeto. “É importante ver essa parceria da Meta com os veículos de comunicação que, de maneira geral, passam por dificuldades com as mudanças digitais, ainda estão se adaptando. O estúdio, por exemplo, era um sonho antigo nosso, que agora conseguimos concretizar, e o apoio da mentoria ajudou a profissionalizar ainda mais nossos podcasts. Esse aceno da Meta, participando do programa, é uma forma de valorizar o jornalismo profissional em um momento de combate às fake news”, destaca.

A opinião é compartilhada por Luís Fernando Bovo, que acompanhou toda a criação da série “Banco dos Réus” como mentor da equipe, em reuniões semanais durante os últimos três meses. “É uma necessidade: os veículos vão ter que se digitalizar. Só que eles passam por uma revolução e, às vezes, não se sabe onde e nem como investir. Quando se tem um projeto assim, que você recebe um subsídio e também orientação, isso traz um aprendizado intangível que você absorve, há dedicação, comprometimento. Existe a preocupação do Facebook que haja uma ajuda. Quando a Meta faz esse movimento, dá um recado sobre a importância da credibilidade do jornalismo”, avalia Bovo.

A série “Banco dos Réus” aprofunda ainda mais o trabalho de modernização da Folha, que tem investido há vários anos no desenvolvimento de novas formas de entrega de conteúdo jornalístico de qualidade aos leitores. “É assim que temos implementado nossos sites, aplicativos, redes sociais, edição digital, leitor automático de voz, realidade aumentada, eventos, vídeos e podcast, entre tantos outros. Nosso compromisso de procurar sempre inovar e entregar o melhor ao nosso público fez com que participássemos deste programa do IFCJ, patrocinado pelo Facebook, no qual fomos escolhidos entre muitos outros projetos participantes de todo o Brasil, para melhorar ainda mais nosso conteúdo de podcast. Isto demonstra que a Folha de Londrina está entre os principais jornais do Brasil e que seu conteúdo e sua qualidade são reconhecidos por todos, inclusive pelas bigtechs, como é a Meta/Facebook”, pontua Nicolás Mejía, superintendente do Grupo Folha de Londrina.

Impunidade, poder econômico, machismo e falhas de investigação permeiam os casos, que agora voltam à tona em “Banco dos Réus”. Além dos cinco episódios, trazendo detalhes de cada um dos crimes em clima de suspense, principal característica das séries true crime, um dos gêneros mais procurados em streamings e podcasts atualmente, um sexto capítulo faz um debate sobre avanços e retrocessos das três décadas de recorte da série. “Em 30 anos, muitas coisas evoluíram em Londrina e região, mas em relação à investigação criminal e justiça, há situações que ainda patinam nos mesmos problemas. Buscamos contar essas histórias, recuperar informações, ouvir personagens e novidades surgiram, mitos foram desfeitos, luz para alguns pontos foi trazida. Vamos ter materiais extras no site, também. É um trabalho fantástico de pesquisa, aprofundado, em que você se aproxima do entretenimento sem esquecer do jornalismo”, explica Alves, que também é a narradora dos episódios, de cerca de uma hora de duração cada.

“Não é só falar de crimes, mas de casos que deixaram pontas soltas, dúvidas, questões sem resposta. É importante voltar a falar deles porque a sociedade não teve a resposta devida. Além de contar a história, é falar de machismo, de injustiça, de falhas que precisam ser corrigidas para que não voltem a ocorrer. O papel do jornalismo é esse”, destaca De Cunto. “O resgate histórico é importante. Relembrar esses crimes, abordar a demora da justiça e como isso afeta os envolvidos. O distanciamento histórico traz essa possibilidade de uma visão mais aprofundada. A forma como os episódios foram construídos, após uma ampla pesquisa, mostra a Folha de Londrina cumprindo seu papel de manter viva a memória do que aconteceu na cidade”, analisa Bovo, mentor do projeto, que teve em sua primeira fase, em 2019, pesquisa e documentação de Hiury Pereira, Lara Bridi, Stefany Zacheo, Alice Resende e Vitor Struck. Na fase atual, ainda participaram a Agência Engenho, criadora da campanha de divulgação, e Luís Elizeu, responsável pela construção do estúdio multimídia.

“A dedicação de todos foi fundamental e é motivadora. Crescemos, aprendemos e agora somos profissionais mais preparados para fazer conteúdo em áudio. A ideia, a partir de agora, é pensar em uma segunda temporada de ‘Banco dos Réus’, além de novos produtos e parcerias com podcasters, já que agora temos um espaço físico para o trabalho, o que deverá gerar receita”, prevê Patrícia Maria Alves.

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