A leitura é o caminho mais curto ao imaginário infantil. Porém, essa é uma escalada tão difícil para pais e professores, quanto a subida do pequeno João no pé de feijão. No caso dos educadores, a batalha é derrotar o mito de que os brasileiros não gostam de ler. Lançada quinta-feira passada em Cambé (13 km a oeste de Londrina), a nova fase da Folha Cidadania foi apresentada ontem a um grupo de professores da rede municipal de ensino de Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina). A Folha Cidadania 2006 trará, entre outras novidades, novo layout, duas páginas coloridas e a participação dos estudantes, que poderão ter o material produzido em sala de aula, publicado no jornal.
Entre os 8.507 estudantes de quarta à oitava série do Ensino Fundamental beneficiados pelo projeto ainda estão alunos de Londrina e Rolândia (25 km a oeste de Londrina). A Folha Cidadania volta a circular na próxima terça-feira, dia 16, com a edição de duas páginas semanais no caderno Folha 2.
Num país em que o índice de escolaridade da população aumentou, sendo que de 1992 a 2003, o número de pessoas com mais de oito anos de estudos cresceu no 23,4% para 41,2%, contraditoriamente, esses números pesaram pouco no avanço do mercado editorial.
Em uma cidade como Jataizinho, com quatro escolas municipais e um universo de 250 alunos beneficiados pela Folha Cidadania, a resposta ao déficit nacional de leitura pode ser sinalizado pelo testemunho de professores, que usam o jornal em sala. ''Através da leitura e a discussão de matérias, os alunos descobriram a realidade. Alguns ficaram surpresos, constatando que existe mais violência do que paz'', comentou a professora Noelia Conceição de Lima, da Escola Municipal Vicente Rodrigues Monteiro.
Não é preciso nenhuma magia para que reportagens e fotografias se transformem em opinião. Basta reflexão. '' Entre alunos, surgiu até o interesse de montar um jornal na escola'', contou a supervisora da Escola Dom Pedro II, Janeti Aparecida Carvalho Vaz.

mockup