"Foi um erro não ter feito o ajuste", admite FHC
São Paulo, 8 (AE) - Em entrevista exclusiva à revista "Época" desta semana, o presidente Fernando Henrique Cardoso faz um inédito mea culpa: "Não ter feito o ajuste fiscal no primeiro mandato foi um erro". FHC admite ainda que o primeiro semestre deste ano será duro e muito difícil e que sua popularidade e credibilidade foram abaladas. Apesar de tudo isso
ele se mantém otimista.
"A taxa de juros reais média, neste ano, será mais baixa que a de 1998." "Mudei o caminho (quanto ao câmbio) porque secou a fonte de financiamento do governo. Com a crise da Rússia as finanças internacionais passaram a se refugiar no dólar. (...) Ficamos sem ter como dar sequência àquela política anterior e isso me fez decidir pela mudança. (...) Fiquei procurando alternativas para, diante dos fatos, mudar a política econômica. (...) O país foi empurrado pelo mercado a adotar essa saída (de deixar o dólar flutuar). A decisão de mexer foi minha. Íamos ficar sem reservas em dólar se continuássemos tentando segurar o real. Essa era a minha obsessão. Antes havia fluxos de recursos, mas com a crise russa esse fluxo parou. O que eu ia fazer? (...) Defender a moeda? Íamos ficar a zero. Quando Chico Lopes propôs alargar a banda, e o mercado não aceitou, eu mandei que flutuasse. Tentar queimar reservas era suicídio - entraríamos numa recessão sem saída." "O primeiro semestre de 1999 será muito difícil. As coisas ficarão claras no começo do segundo semestre. Deixar as coisas claras significa ter aumento de exportação, ter novos fluxos de financiamento... e temos o desafio da volta da inflação. Com a volta da inflação, temos que lutar para evitar a indexação." "O ajuste fiscal não foi feito no primeiro governo e isso foi um erro. Não foi feito porque houve resistência dos partidos, mas isso não ocorreu porque eu estivesse preocupado com a reeleição." "Quem reclama da taxa de juro, da taxa de câmbio, deve saber que alguma coisa vai entrar em função da desvalorização. O turismo vai crescer. A agricultura vai crescer. O setor de autopeças vai se expandir, quem puder substituir produto importado por produto nacional vai sair ganhando. Todas essas são atividades geradores de empregos. Não podemos tirar do horizonte o crescimento do país." Outros destaques Capa - A reportagem de capa da "Época" é sobre as mulheres brasileiras, que, segundo a revista, buscam sucesso, poder e prazer e querem chegar ao Palácio do Planalto. A matéria inclui os números de pesquisa feita pelo instituto Vox Populi, que mostram que 43% das brasileiras apontam a discriminação no trabalho como o principal problema que as afligem; são 63%, no entanto, as que acham que homens e mulheres têm as mesmas condições de disputar empregos.





